Os efeitos positivos da reforma da Previdência, em discussão no Congresso Nacional, estão sendo sentidos também pelo Instituto de Previdência do Estado (IPE). ‘‘Vivemos um momento de repensar o IPE, com o objetivo de lhe devolver a credibilidade e a excelência na prestação de serviços aos segurados’’, anuncia o superintendente do instituto, André Zacharow.
O modelo buscado pretende ‘‘melhorar o grau de satisfação do usuário, mas também democratizar o uso dos serviços oferecidos’’. Segundo Zacharow, há uma ‘‘consciência no nosso meio médico’’ que o instituto sofre com desequilíbrios, com especialidades onde a demanda é grande e a oferta baixa, e outros onde ocorre o contrário.
Os serviços pediátricos oferecidos pelo instituto, por exemplo, já foram muito requisitados. Por isso, o contingente profissional nessa área é satisfatório. Mas na geriatria, por exemplo, acontece o contrário.
A intenção da nova direção do IPE, que assumiu há dois meses, é aproveitar também a discussão sobre a recriação do Fundo de Previdência do Estado, o chamado Fundão, para definir novos parâmetros de funcionamento do serviço de assistência social oferecido aos 443 mil segurados do instituto. Nesse número estão incluídos servidores públicos ativos e inativos, pensionistas e seus dependentes.
‘‘O nosso segurado não tem ainda sequer um manual do usuário’’, afirma Zacharow. ‘‘Assim, muitas vezes não sabe nem quais são seus direitos.’’ O desconhecimento de direitos de uns acaba gerando o abuso por parte de outros. O IPE calcula que entre 25% e 30% dos 20 mil segurados que marcam consultas médicas todo mês acabam não comparecendo no horário reservado, causando transtornos ao instituto.
‘‘Quando alguém marca uma consulta e não comparece, ocupa o horário do médico que poderia ser destinado a outro segurado’’, aponta o superintendente. Para reduzir esse índice, o instituto está estudando formas de controle e de fiscalização sobre a ficha médica de cada segurado. ‘‘Hoje não se sabe ainda quantas consultas um usuário requisita por mês ou por ano’’, revela Zacharow.
Assim como não tem controle sobre o uso, o IPE também não prevê punições para os casos de abuso, principalmente quando o usuário marca consulta e não aparece. ‘‘É por isso que o IPE precisa ser repensado como um todo, não apenas na questão previdenciária’’, conclui o superintendente.

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