A preferência dos médicos por um ou outro laboratório e o número de exames pedidos por paciente virou assunto de mais uma polêmica entre o Instituto de Previdência do Paraná (IPE) e laboratórios de Londrina. As reclamações e denúncias de que alguns laboratórios estariam pagando porcentagem sobre os exames para serem indicados aos pacientes partiram de proprietários de alguns laboratórios, que se sentiram lesados com a situação. E foram feitas diretamente ao Sindicato e ao IPE no ano passado, levando os dois setores a se unirem em busca de solução para coibir a possível irregularidade.
Com uma média de 5.000 consultas mensais e 8.500 pedidos de exames por mês, o IPE é considerado um bom convênio pelos laboratórios. ‘‘Mesmo com os atrasos de pagamento, é preciso admitir que este convênio interessa a qualquer laboratório. Por isto estamos preocupados, tentando resolver a situação’’, confirma o diretor do Sindicato, Flávio Abreu Barbosa. Ele acentua que o problema é antigo, atinge outros convênios e prejudica os laboratórios que não aceitam a prática.
Barbosa afirma que é comum o médico ter preferência por um ou outro laboratório. ‘‘É justo, se a preferência for pautada pela qualidade do atendimento ou mesmo pela confiança no profissional que vai prestar o serviço. Mas o que vemos, muitas vezes, é que a indicação está atrelada a um acerto financeiro’’, comenta. De acordo com as reclamações que chegaram ao Sindicato e IPE, laboratório e médico entram em acordo acertando uma porcentagem que pode variar de 10% a 30% sobre os exames pedidos.
Como o preço pago por exame é tabelado, um dos métodos utilizados para garantir a parte da ‘‘comissão’’ seria o pedido de exames desnecessários, aumentando o ganho do laboratório. O problema é que nenhum dos reclamantes deu provas de que os privilégios estariam acontecendo.
O coordenador do Instituto, o ginecologista Marcelo Agudo Carvalho de Mendonça, diz que não acredita na possibilidade apontada pelas denúncias. E observa que, até alguma prova contrária, o IPE confia nos seus profissionais e nos prestadores de serviços. ‘‘Apesar de nenhum dos reclamantes ter qualquer tipo de prova, estamos trabalhando para coibir qualquer tipo de irregularidade.’’
Ele cita o fato de o IPE receber guias de pedido de exames de todos os laboratórios. E levou a reportagem da Folha de consultório em consultório mostrando, sobre as mesas dos médicos, os bloquetos dos pedidos dos nove laboratórios cadastrados no Instituto. A cidade conta com cerca de 19 laboratórios. Mas deixou claro que é impossível fiscalizar a seleção do médico.
Para afastar a possibilidade de ‘‘falcatruas’’, o próprio IPE determinou que todo pedido de exames específicos e caros - como tomografia e cintilografia - passe por uma auditoria em Curitiba para ser aprovado. A fim de garantir agilidade e o bom atendimento aos pacientes de Londrina, o coordenador conseguiu autorização para implantar um sistema de auditoria na Cidade.
As reuniões entre IPE e Sindicato dos Laboratórios vêm acontecendo desde o final do ano. O primeiro passo concreto foi a apresentação, ontem, de um pedido único para todos os exames. A idéia foi aprovada em assembléia pelos laboratórios e aceita pelo IPE. A partir desta semana, passa a substituir os bloquetos de pedidos sobre a mesa dos médicos do instituto. O pedido vem timbrado com o nome da associação dos Laboratórios de Londrina e permite ao médico que ele escreva o nome do laboratório indicado.
A principal mudança é que o pedido vale para qualquer dos laboratórios conveniados ao IPE. Ao receber o pedido, o paciente o apresenta na entrada do Instituto, onde tem acesso ao nome de todos os laboratórios em que pode fazer os exames. Fica a critério do paciente aceitar a indicação do médico ou escolher um outro laboratório. ‘‘Isto vai democratizar a escolha do laboratório’’, acredita Barbosa.

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