IPE deu calote de R$ 1 milhão
Os atrasos nos repasses do Instituto de Previdência do Estado (IPE) obrigaram a direção do Hospital Erasto Gaertner a tomar uma decisão drástica: não aceitar casos de novos pacientes segurados. O IPE tem uma dívida de R$ 1 milhão com o hospital. Segundo o diretor geral Isidoro Cestari, somente estão sendo atendidos pacientes antigos e casos de urgência ou emergência. O hospital chega a receber pacientes do IPE que já haviam tido atendimento recusado em Casas de Saúde de Maringá e Londrina, por exemplo. O instituto representa a terceira maior demanda de pacientes do hospital.
‘‘Não há meios para oferecer novas vagas. Se nós não nos precavermos, corremos o risco de comprometer a sobrevivência do hospital’’, afirma Cestari. Do governo estadual, o hospital ganha muito pouco, apesar de ter muito a receber. Na tentativa de abater a dívida com o IPE, a direção do Erasto Gaertner tentou negociar uma empréstimo de R$ 1 milhão junto ao Banestado, mas até agora não houve sucesso na proposta. Para se ter uma idéia das dificuldades causadas pelos calotes do IPE e o descaso das autoridades públicas de Saúde do Paraná, o hospital só recebeu no mês passado o dinheiro dos serviços prestados aos segurados do IPE em fevereiro.
O hospital já tentou garantir sua inclusão no orçamento do Estado e recorreu à Assembléia Legislativa, mas também nada conseguiu. ‘‘Não participamos de nenhuma verba oficial. As verbas do governo são esporádicas. Na prática não podemos contar com isso’’, diz Isidoro Cestari. Nos 27 anos de história, a pior crise enfrentado pelo Erasto Gaertner aconteceu em 1992. A direção do hospital foi obrigada a reduzir o atendimento e a fechar leitos por atraso nos repasses de dinheiro do Ministério da Saúde.
No início do ano, a direção do hospital voltou a enfrentar dificuldades quando o governo federal desvalorizou o Real diante do dólar. O reflexo foi uma elevação de até 300% no preço dos medicamentos que têm os preços cotados na moeda americana. ‘‘O que aconteceu é que não conseguimos honrar nossos compromissos junto aos fornecedores. Tivemos um aumento de custos e nenhuma correção de tabela do SUS’’, recorda Cestari. (D.V.)

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