Para Kenji Miyazaki, chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Londrina, o novo código não conseguiu resolver aquele que seja talvez o maior problema no trânsito brasileiro: a infração consciente e deliberada de algumas normas. ''Qualquer motorista tem consciência das normas e da necessidade de se cumpri-las. Mas nem todos põem isso em prática'', observa.
O sargento Vanderlei Veríssimo, chefe do setor de acidentes da 2 Companhia de Polícia Rodoviária, complementa que ninguém pode alegar desconhecimento do Código, mesmo porque sem isso não é possível obter a habilitação. Ainda assim, o desrespeito à sinalização (como atravessar preferenciais e fazer ultrapassagens em locais proibidos), juntamente com o excesso de velocidade, são apontados pelo sargento as duas maiores causas de acidentes nas estradas. ''Falta responsabilidade. O motorista não se programa para sair com antecedência, e tenta tirar o atraso na estrada. Em virtude da pressa, o motorista acaba colocando a própria vida em risco, e o que é pior: a vida de outras pessoas também'', aponta.
Na avaliação de ambos, mudar a mentalidade e entender a necessidade de se respeitar as normas e os outros cidadãos depende essencialmente de mais investimentos na educação. ''A mudança mais significativa do novo Código de Trânsito foi prever a necessidade de atividades de cunho educativo, coisa que a lei anterior não previa. E a educação é um item essencial para se tentar melhorar as condições do trânsito brasileiro'', ressalta Miyazaki.
''Eu sugeriria inserir no currículo escolar uma disciplina de normas de trânsito a partir da 5 série primária. Assim, em dez anos começaríamos a colher os frutos desse trabalho'', acrescenta Veríssimo.
Álvaro Grotti, diretor de trânsito da CMTU, também considera imprescindível que haja mais investimento em educação. ''Não adianta só fazer campanhas, é preciso formar uma nova mentalidade, através de todo um processo educativo, que inclui a obrigatoriedade dessa disciplina no ensino fundamental'', acrescentando que também é preciso punir com mais rigor e investir mais recursos do poder público para melhorar a malha viária.
Para o diretor, o que torna o trânsito ruim é quem faz o trânsito. ''As pessoas têm uma conduta irresponsável e querem que o trânsito seja bom, mas cada um tem o trânsito que merece. E, infelizmente, quem não merece sofre as consequências'', desabafa. (A.I.)

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