Santa Cecília do Pavão - Numa cidade onde a renda não ultrapassa R$ 430 por habitante, a população de analfabetos caiu de 23% para menos de 4% em cinco anos. O trabalho, que envolveu a inclusão digital, parcerias com órgãos públicos e força de vontade dos educadores municipais, rendeu ao município de Santa Cecília do Pavão (Norte) o reconhecimento de área livre do analfabetismo.
Conforme o prefeito Edimar Santos, a economia do município, com 4,5 mil habitantes, é baseada na produção de grãos, mas hoje os filhos dos agricultores já não desejam permanecer no campo. ''Por isso decidimos investir na capacitação desses jovens, começando pela educação.''
Em 2005, tiveram início ações de incentivo como o transporte gratuito de estudantes para universidades em Londrina e Cornélio Procópio (Norte) e a criação de telecentros comunitários, que disponibilizam acesso gratuito a computadores. O programa Cidade Digital, que oferece internet sem fio gratuita em toda a cidade, também faz a diferença. ''Há cinco anos, a cidade tinha só 37 computadores. Hoje, já são 1,2 mil. Naquele ano, somente oito estudantes frequentavam o ensino superior, hoje são 240'', cita.
Paralelamente, o Município deu início às turmas de alfabetização, com recursos do governo federal e estadual e força de vontade de educadores municipais. Em parceria com associações de moradores, a Prefeitura reuniu os estudantes, que assistiam às aulas em centros comunitários próximos de suas casas. As aulas aconteciam à noite e as turmas também recebiam uma refeição.
Cinco anos depois de iniciado o projeto de alfabetização, Santa Cecília conta com dez turmas, sete na zona urbana, com 98 alunos, e três na zona rural, onde 24 alunos participam das aulas de 40 minutos, nas quais aprendem a ler, escrever e fazer contas. A maioria tem mais de 50 anos e há estudantes de ambos os sexos.
Cidadania
A última etapa da inclusão deve ser concluída em agosto deste ano, quando cerca de mil estudantes dos ensinos Fundamental e Básico e 89 professores receberão notebooks. ''É mais uma parceria com o governo federal, que destinou 1.089 máquinas para Santa Cecília. A ideia do Ministério da Educação é que o computador funcione como um livro didático e fique em posse do aluno até ele terminar a oitava série'', explica.
Ainda segundo ele, o Município foi um dos primeiros a receber computadores no País. ''Nesta primeira fase vamos capacitar professores e alunos. Serão 180 horas de curso para aprenderem a usar a ferramenta em pesquisas e cálculos.''
Sobre o título de área livre do analfabetismo, concedido em abril, o prefeito reforça que hoje menos de cem pessoas ainda não sabem ler e escrever no município: ''A evasão escolar é natural, mas nossa meta é chegar a zero.''

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