'Investimos no resgate da autoestima dos alunos'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
O envolvimento de toda a comunidade escolar em torno do objetivo de conter a reprovação e a evasão foi fundamental para reduzir à metade os números relativos a esses dois problemas na Escola Estadual Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Jardim Avelino Vieira (Zona Oeste de Londrina).
O colégio registrou quase 17% de reprovação e 10,7% de abandono em 2008 e 2009. No ano passado, graças a um projeto que focou as dificuldades individuais dos alunos e, paralelamente, tornou as aulas mais interessantes, os índices caíram para 8,9% e 5,7%, respectivamente.
''Decidimos unir forças para superar os problemas'', contou a diretora Judithe Santana Palozzo. O sinal de alerta da equipe pedagógica acendeu quando a meta de atingir nota 3,2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não foi atingida. ''Mexeu com o ego da escola'', contou.
No início de 2010, durante a Semana Pedagógica, professores e direção refletiram sobre as soluções possíveis. ''Investimos na interação e no resgate da autoestima dos alunos'', contou a pedagoga Veralice Mariano. O primeiro passo foi desenvolver atividades que extrapolassem as aulas baseadas em quadro negro e giz.
Passeios para complementação do conteúdo, gincanas culturais e um projeto específico da disciplina de Educação Física foram realizados. No planejamento, a equipe pedagógica enfatizou as dificuldades dos estudantes ao invés de querer dar conta de todos os assuntos previstos para cada série. ''Aprendendo o que faltava, os alunos 'deslancharam'. Depois de recuperar o que faltava aprender, houve avanços e conseguimos abordar todos os conteúdos previstos.''
Em 2011, a escola vai manter o modelo e tentar ampliar o projeto para os pais. ''Infelizmente, as famílias ainda não se envolvem com a educação dos filhos'', disse Judithe. Para ela, atividades voltadas para os respensáveis pelos alunos podem aumentar o comprometimento com os estudos.
Jonathan Vinícius dos Santos, 16, abandonou a escola duas vezes, na quinta e na sexta séries. ''Não entendia as matérias e fazia muita bagunça'', disse. Por insistência da escola, ele voltou no ano passado e, graças à atenção dos professores, passou a aprender melhor e conseguiu chegar à sétima série. ''Não pretendo mais parar. Quero estudar para ter bom emprego'', planejou.
Vinícius Silvestre Silva, 16, não tinha problemas com notas ou risco de reprovar o ano. Influenciado pelos amigos, entretanto, ele abandonou os bancos escolares. Arrependido, voltou no ano passado depois de conversar com uma professora e já faz planos para o futuro. ''Quero terminar os estudos, fazer cursos e ter uma profissão.''


