Londrina - No ano passado, o Brasil conseguiu atingir nas regiões Sul, Sudeste e Sudoeste a meta de redução em dois terços do índice de mortalidade infantil em menores de 5 anos. Segundo Márcia Benevenuto, coordenadora do Banco de Leite Humano do HU de Londrina, esse é um dos resultados das ações dos BHLs brasileiros.
Porém, Márcia explica que até metade dos anos 80 os bancos de leite não funcionavam como atualmente. Os poucos que existiam repassavam o leite da mãe doadora às crianças sem nenhum tratamento. "Quando se descobriu que o vírus HIV poderia passar pelo leite humano, os bancos foram fechados e se iniciaram planos de ações sobre como aproveitar esse produto com segurança. Foi então que surgiram o processo de pasteurização e os controles de qualidade", afirma, ao citar que como o leite humano é um alimento perecível e contaminável, a pasteurização lenta foi eleita o método eficaz para garantir que 100% dos micro-organismos que eventualmente estivessem nele, fossem inativados.
"De todo frasco de leite pasteurizado, colhe-se uma amostra, inocula no meio, deixa incubado e depois é realizada uma leitura. Se for comprovada uma contaminação, o produto será descartado. Outro controle é sensorial, por meio da observação de algum corpo estranho no leite, pois se a mãe não usa gorro, máscara, enfim, segue todo o protocolo de manuseio, pode cair um fio de cabelo ou até mesmo uma formiga. Além disso, pode vir algum micro-organismo pelo ar. Tudo isso é orientado à mulher que quer ser doadora", completa.
Todo esse controle de qualidade aliado à troca de experiências entre a rede de BHLs revelou o melhor caminho para o Paraná se tornar uma referência. "O Estado avançou porque compartilhamos dificuldades e investimos em capacitação e pesquisas. Além disso, nossa comissão conta desde os anos 1990 com uma parceria da Vigilância Sanitária. Essa integração é uma exclusividade da nossa comissão, reconhecida e premiada em 2005. Descobrimos que trabalhar desse jeito faz a diferença", conclui.
A atuação do BLH tem duas vertentes: trabalhar com leite para que ele se mantenha com a qualidade e seja oferecido aos prematuros internados nas UTIs Neonatais do Brasil e dar assistência a todas as mães com orientações, ajuda prática no manejo do aleitamento e próprio incentivo.
Atualmente, o Banco de Leite do HU conta com postos de coleta na própria unidade, na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, Hospital Evangélico e nas cidades de Cornélio Procópio, Rolândia e Cambé.
O volume total coletado atende cerca de 300 bebês mensalmente, sendo que muitas vezes uma única criança pode ser beneficiada durante 30 dias ou mais. "Estamos precisando melhorar a coleta. Gostaria de ter 400 litros aproveitados, o que hoje gira em torno de apenas 250", declara. (M.O.)

Serviço:
Mais informações sobre o Banco de Leite Humano do HU pelo fone (43) 3371-2390. O BLH/HU atende de segunda a sexta-feira das 7 às 17 horas e aos sábados das 7 às 12 horas.

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