Filha de madeireiro, a arquiteta urbanista Luciana Quevedo Nunes Honda sempre ficava deprimida ao ver uma árvore sendo derrubada. Tanto que, na adolescência, o pai deixou de levá-la para acompanhar seu trabalho. E ela transformou a preocupação com a preservação do meio ambiente em sua filosofia de vida. Hoje Luciana integra um time de pessoas que acreditam no poder de pequenas ações para garantir qualidade de vida para as próximas gerações.
''Meu pai, embora madeireiro, sabia da importância de cada árvore. Às vezes até desistia de derrubar algumas delas'', conta a arquiteta, que se especializou em planejamento urbano e hoje é gerente de uma empresa que desenvolve projetos nas áreas de gestão de cidades e gestão ambiental. Para Luciana, mudar algumas atitudes do dia a dia não é impossível para ninguém. ''Requer apenas disposição para deixarmos o mundo com outra cara.''
Entre os 'mandamentos' que ela incorporou em sua rotina estão juntar o máximo de roupas para lavar de uma só vez; evitar o uso de ar-condicionado; manter o carro regulado, com a revisão em dia e com os pneus calibrados; só usar produtos biodegradáveis; só adquirir bens que sejam realmente necessários e fazer a separação do lixo.
Luciana também instalou em seu apartamento um sistema de descarga nos banheiros que utilizam caixas com dois níveis de água, que são acionados de acordo com o tipo de uso. ''Pode ser que no início a gente gaste um pouco mais para instalar estes equipamentos, mas é algo que vale a pena, tanto pela economia gerada como pelo bem que promovemos'', atesta.
Atitude
O mesmo ponto de vista é compartilhado pelo professor e químico Júlio Alves Marques, que aplicou seus conhecimentos na área de sustentabilidade na construção da casa da família. O imóvel conta com cisternas para armazenar a água captada da chuva, aquecedor solar para os chuveiros, piscina e torneiras, ambientes iluminados com luz natural e lâmpadas fluorescentes nos ambientes que permanecem mais tempo acesos. Por enquanto a água que cai das nuvens é utilizada nas torneiras externas da casa, mas no futuro ela deverá abastecer também um sistema que abastecerá os banheiros.
O uso racional da água e da energia é uma das grandes preocupações da família. ''No começo tivemos um pouco de dificuldade para controlar o tempo do banho, mas agora tudo é muito natural'', conta a esposa de Julio, Herana Fadel Marques. O casal mora em uma casa de 580 metros quadrados com dois filhos adolescentes (Nicholas, de 15 anos, e Julianna, de 17 anos) e recebe frequentemente a visita de parentes. Mesmo assim, a última conta de água foi no valor de R$ 29,43, já incluída a taxa de serviço de esgoto. A conta de energia também chama a atenção, pelo padrão da residência: R$ 156,38.
Para Júlio e Herana, porém, mais importante que a economia no bolso é a economia de recursos naturais e a consciência que está sendo incutida nos filhos. ''Tínhamos a preocupação de não ficarmos apenas no discurso. Tenho certeza que, no futuro, eles também terão atitudes responsáveis em relação ao planeta.'' (S.L)

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