Investimento priorizou tecnologia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Leandro Donatti 
Curitiba
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Américo Antunes, disse na abertura do encontro, quarta-feira à noite no Memorial de Curitiba, que os recursos financeiros investidos no processo de melhoria do conteúdo dos veículos de comunicação não evoluíram na mesma proporção que os dispensados nas questões técnicas. O debate sobre a qualidade editorial passa pelo resgate do conteúdo da informação. Não adiante termos novas tecnologias sem darmos :27fc2120.cwb
uma atenção especial para aquilo que é básico, disse.
Segundo Antunes, a melhoria editorial só vai ocorrer quando os proprietários dos jornais apostarem mais nos seus profissionais. Precisamos acabar com essa visão de que a reportagem adquiriu conotação de fast food, contendo informações rápidas mas sem conteúdo, avalia. Para ele, há necessidade de recuperar o conceito do jornalismo investigativo. A opinião pública já emite sinais de que há falta de objetividade e excesso de oficialismo, disse o presidente da Fenaj, baseando-se numa pesquisa de opinião feita pelo instituto Vox Populi.
O presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Paulo Cabral, entende que o fator-chave que determina o sucesso de um veículo de comunicação é a credibilidade. De acordo com a opinião do dirigente, a credibilidade decorre do conteúdo. A redação é o coração da moderna empresa jornalística. É dali que sairá o conteúdo que fará a diferença, reforçou. Ele admite que durante anos a prioridade de investimentos foi em máquina. Isso ocorreu porque, à época, a tecnologia é que fazia a diferença, para imprimir melhor, chegar mais cedo ao leitor, justificou.
Paulo Cabral diz que hoje há uma tendência de valorizar os profissionais do jornalismo. Existe, dentre os empresários de jornais, a consciência de que temos de fazer aquilo que já sabemos que tem de ser feito, disse. Ou se avança rumo à competitividade ou se está fora do mercado. E não há como competir sem qualidade editorial, avalia.


