Investigadores estão presos nos DPs
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina - "Apenas dois cadeados nos separam de 120 presos", relata um investigador da Polícia Civil, que faz guarda em um dos dois distritos superlotados de Londrina. O 4° e o 5° DPs têm capacidade para 24 internos, mas guardam cerca de 250 homens. A situação é tão séria que, segundo o sindicato da categoria, 30 dos cerca de 50 investigadores da cidade estão "presos" nas carceragens e não dedicam um minuto do seu tempo para investigar crimes.
"Sabemos que existe uma organização em todas as cadeias para arrebatamentos em todo o Estado. Só não aconteceu ainda porque os presos aguardam uma determinação externa", declarou.
Em fevereiro deste ano, 60 presos do 4° DP foram resgatados por um grupo armado. Por isso, um investigador foi categórico: "A cadeia vai explodir. A situação em que os presos vivem é crítica".
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina, Ademilson Batista, a sociedade também é refém desta situação. "Os crimes levam mais tempo para serem resolvidos", avaliou. Segundo ele, Londrina é um dos poucos onde a guarda dos presos não é feita por agentes de carceragem. "Existe uma resolução que determina a gestão compartilhada entre a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) e a Seju (Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos), para a contratação desses agentes. Estranhamente, ficamos de fora", criticou.
A reportagem questionou a Seju sobre a possibilidade da contratação e do encaminhamento de agentes de carceragem a Londrina e a resposta é que os distritos da cidade são administrados pela Secretaria de Segurança. A Sesp, por sua vez, afirmou que o pedido para a contratação de agentes de carceragem tem que ser feito pela Polícia Civil. A assessoria da corporação informou apenas que há interesse na contratação.


