Investigadora acusa delegado de Campo Largo por torturas
Investigadora acusa delegado
de Campo Largo por torturas
Ana Paula Barba e uma das supostas vítimas de tortura em Campo Largo confirmam as acusações feitas contra o delegado Oliveira pela policial Raquel Bandeira
O delegado de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, Marcos Antonio de Oliveira é acusado de torturar presos durante interrogatórios. A denúncia foi formalizada pela investigadora Raquel Bandeira, 45 anos, que registrou queixa na Corregedoria da Polícia Civil e na Promotoria de Investigações Criminais (PIC). A policial, que trabalha na Delegacia de Campo Largo, apresentou duas fitas cassete que teriam sido gravadas por ela na delegacia durante uma sessão de tortura.
Uma das supostas vítimas, que não tem antecedentes criminais, foi ouvida ontem na Corregedoria e na Promotoria e confirmou as acusações contra Oliveira. O delegado negou as acusações. Para ele, trata-se de armação da investigadora, que foi acusada de envolvimento em tráfico de drogas. Segundo o corregedor-geral da Polícia Civil, Annibal Bassan Júnior, os depoimentos da policial e da vítima fornecem indícios fortes de que houve tortura. Precisamos colher mais provas, afirmou.
O caso veio à tona na segunda-feira, depois que Oliveira deteve Raquel e a sua irmã de criação, a padeira Ana Paula Dalamessa Barba, 27 anos, no domingo. O delegado acusava as duas de tráfico de entorpecentes. Uma equipe do Grupo Tigre, de Curitiba, esteve em Campo Largo para fazer uma vistoria na kombi de Raquel. A ida dos agentes especiais teria sido uma imposição da investigadora, caso o carro fosse revistado. O delegado, porém, afirma que teria chamado o Grupo Tigre. Como a busca não encontrou drogas no veículo, as duas acusadas foram liberadas ainda no domingo.
Para o autônomo Jairo Chiquito Bandeira, 42 anos, irmão de Raquel, a acusação feita pelo delegado ocorreu porque Oliveira teria descoberto que a investigadora preparava um dossiê sobre as torturas. A prisão de Raquel e da irmã seria uma forma de desqualificar as acusações que estas poderiam fazer. Além das fitas, Raquel teria também fotos de detentas espancadas pelo delegado.
Conforme Ana Paula, Raquel fez as gravações porque tinha medo que um preso morresse, durante seu plantão, em função dos espancamentos, e ela fosse acusada. Já estavam demais as torturas, aí ela resolveu se cuidar, disse Ana. Raquel está impedida de falar com a imprensa por causa do regulamento interno da polícia. A situação revoltou o irmão. Mas por que ela não pode dar declaração se é vitima de um superior?, questiona Jairo.
Para o delegado, as acusações de Raquel e de Ana Paula fazem parte de uma armação para prejudicá-lo. As fitas, afirmou, podem ser montagens. Ao negar as denúncias, Oliveira disse que joga pesado com os bandidos. Eu trabalho sério e jogo duro. Sou delegado de rua e não deixo bronca passar em branco, afirmou. Para ele, reclamar de torturas seria a única forma de os presos escaparem das condenações. Retribuindo as acusações, Oliveira disse que a investigadora maltratava os presos de Campo Largo. Policial há 15 anos, Raquel não responde a nenhum processo administrativo.





