O investigador do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina, Robson José Quadros Santos, foi preso preventivamente na manhã de ontem por determinação da juíza da 4 Vara Criminal, Carla Pedalino. Ele é suspeito de envolvimento no desvio de 45 armas de fogo daquele distrito. A prisão foi decretada a pedido do delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Alan Flore, designado pela Corregedoria Geral do Estado para presidir o inquérito sobre as armas. O delegado diz que existem fortes indícios de envolvimento de Quadros. O desvio das armas se tornou público no começo desta semana, mas a PIC suspeita que isso aconteça há pelo menos quatro meses.
Quadros trabalha em Londrina desde dezembro do ano passado, quando foi transferido de Foz do Iguaçu (Oeste do Estado). Ele foi preso quando chegou à 10 Subdivisão Policial de Londrina, onde cumpriria plantão. Segundo uma fonte ligada à Secretaria Estadual de Segurança Pública, o investigador e o delegado Manuel Pelisson teriam sido transferidos do 3º Distrito para a 10 SDP após a abertura do inquérito a pedido do delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André. A intenção da secretaria seria manter o delegado e o investigador na sede da Polícia Civil de Curitiba enquanto o inquérito estivesse em adamento. O delegado-chefe da 10 SDP não comentou o assunto.
De acordo com o promotor da PIC, Cláudio Esteves, Quadros é o único suspeito preso até agora. Ele foi levado ainda pela manhã até a sede da PIC para ser ouvido pelo delegado Alan Flore. ''Pedimos a prisão preventiva de Quadros após reunirmos fortes indícios de seu envolvimento no desvio das armas'', disse o promotor.
Em uma breve conversa com Flore, o investigador negou o envolvimento e afirmou desconhecer o caso. O delegado garantiu que a PIC ainda não teve conhecimento de nenhum fato que pudesse apontar o provável envolvimento do delegado Manuel Pelisson com o crime. ''A princípio nenuhma outra prisão deve ser efetuada, mas as investigações prosseguem'', afirmou Flore.
A destinação das armas desviadas e os motivos pelos quais elas ainda estavam no depósito do 3º DP são os principais objetos da investigação no momento, segundo Flore. O promotor Esteves considerou ''inadequado'' e ''absurdo'' o fato de as armas serem mantidas no distrito após a conclusão dos respectivos inquéritos. ''Elas deveriam estar no distrito somente pelo tempo necessário para a perícia, já deveriam ter sido encaminhadas para o Fórum'', disse.
Quadros seria ouvido oficialmente por Flore ainda na tarde de ontem. A reportagem não conseguiu contato com o delegado da PIC no final da tarde para obter mais informações. O inquérito sobre o possível envolvimento do investigador no crime deverá ser concluído em no máximo 10 dias. Enquanto isso, Quadros permanecerá preso no 4º Distrito Policial.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jorge Azor, informou, por meio da assessoria de imprensa, que, além do inquérito presidido por Flore, um procedimento administrativo da Corregedoria foi instaurado para apurar o caso. Ele também revelou que a decisão de afastar Pelisson do 3º DP e remanejá-lo para a 10 Subdivisão foi tomada para evitar possíveis prejuízo às investigações. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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