O investigador da Polícia Civil de Londrina, Daniel Pinto de Melo, acusado de extorsão, está detido no Instituto de Criminalística. Ele se apresentou na noite de sexta-feira, quando ficou detido. Outro investigador, Robson Avancini, e o escrivão José Antonio Alves Camargo, também acusados do mesmo crime, estão presos desde o dia 25. O trio teria exigido R$ 4 mil de Elizabeth Moraes Machado para não indiciá-la em inquérito policial.
Elizabeth disse ser proprietária de auto-escola, mas a informação não é verdadeira, segundo afirmou ontem o delegado Valdir Abrahão, do setor operacional da Furtos e Roubos da 10ª SDP. Ele disse ter consultado a Associação das Auto-Escolas de Londrina que não confirmou a informação.
A prisão preventiva dos acusados foi decretada pela Justiça no último dia 25. Na ocasião, Avancini e Camargo se apresentaram, mas Melo estava desaparecido. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP), Acácio de Azevedo, conta que o investigador o procurou na sexta-feira à noite e imediatamente foi encaminhado ao Instituto de Criminalística. ‘‘Ele veio sozinho e não comentou sobre o caso’’, afirma.
A suposta tentativa de extorsão foi denunciada pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), após ser procurada por Elizabeth Machado. Ela teve seu carro, um Gol verde ano 1997, apreendido pela polícia porque o veículo estaria com o chassis remarcado. Segundo ela, os policiais, que trabalhavam no 2º Distrito Policial, exigiram dinheiro para não indiciá-la. Ela gravou a conversa, por orientação de um oficial da PM de Londrina, que deverá ser ouvido no inquérito. O nome do PM não foi divulgado. O caso provocou também o afastamento do delegado do 2º DP, Antonio Zuba de Oliva.
O delegado Acácio de Azevedo explica que ainda não foi marcada a data para interrogar os três acusados, mas que isso deve acontecer nos próximos dias. Ele acredita que o inquérito policial deve ser concluído e encaminhado à Justiça ainda nesta semana.
Além dos depoimentos, o delegado-adjunto aguarda laudos do Instituto de Criminalística, referentes à vistoria no veículo e na fita. O perito criminalista Daniel Felipeto explica que a vistoria concluiu que o chassis do Gol foi mesmo remarcado. O carro, segundo ele, foi roubado em janeiro, em Guarulhos (SP). O laudo seria encaminhado ao delegado ontem.
A degravação e a avaliação da autenticidade da fita, segundo Felipeto, devem demorar cerca de 10 dias para serem realizadas. Segundo ele, a fita não precisará ser encaminhada para o Instituto, em Curitiba. Esta possibilidade foi cogitada pelo delegado Acácio na semana passada.
Sobre a constatação de que o veículo foi mesmo furtado, o delegado afirma que este caso precisa ser também investigado. ‘‘A princípio, existe o envolvimento dela (Elizabeth) no caso. Mas precisamos verificar a autoria da adulteração do chassis, entre outras coisas.’’

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