Curitiba

Albari Rosa




BalaçoPerito do Instituto de Criminalística mostra por onde entrou a bala que matou Castro, que trabalhava na 2ª Delegacia de Trânsito de Curitiba



O delegado adjunto da 2ª Delegacia de Trânsito de Curitiba, Jaime Gonçalves de Castro, de 45 anos, foi morto quarta-feira à noite com um tiro na cabeça disparado por um investigador da Polícia Civil. O crime aconteceu perto da favela do Xapinhal, no bairro Sítio Cercado, durante ação policial na qual os investigadores usavam um Fiat Tipo descaracterizado e que não pertence à polícia. A família do delegado morto diz que ele vinha recebendo ameaças e suspeita de execução.
O delegado estava num Monza com mais duas pessoas: Orlanda Vidal Pereira, 56 anos - na casa de quem Castro morava e considerava como sua mãe - e um filho dela, Leandro Francis. A ação policial ocorreu por volta das 19h30.
Os investigadores do 8º DP Paulo Roberto da Silva, 36 anos, e Emerson Zeglin, 25, que assumiu a autoria do tiro, disseram ao delegado do caso que suspeitaram do Monza por dois motivos: o carro entrou e saiu da favela e tinha uma perfuração de bala na parte traseira. A perfuração foi causada por uma troca de tiros com assaltantes em dezembro passado, durante a qual o delegado Castro matou um dos bandidos.
Há duas versões para o que ocorreu: a família diz que os policiais ‘‘fecharam’’ o Monza e desceram do carro atirando, sem se identificar. ‘‘Não tivemos como saber que eram policiais’’, disse Orlanda Pereira. Os investigadores afirmam que desceram do carro mostrando as carteiras de identificação policial e foram recebidos a tiros pelo delegado. Castro foi morto com um tiro no alto da cabeça, disparado, segundo peritos, a pouco mais de meio metro de distância.
A polícia já sabe que nenhum projétil foi disparado do revólver que o delegado carregava. Ele também levava uma pistola e a perícia vai dizer se a arma foi usada. O diretor do Instituto Médico Legal, Francisco Moraes Silva, disse que ‘‘aparentemente não havia resíduos nitrados’’ na mão do delegado, mas a comprovação depende de exames.
O delegado que preside o inquérito, Josmair de Camargo, disse que, a princípio, não há contradições nos depoimentos dos policiais. Além dos investigadores que estavam no carro, fazia parte da equipe Luís Kuss, 39 anos, que, segundo a polícia, estava a 300 metros do local da abordagem, ‘‘de campana’’, e era o único que conhecia Castro.
Independentemente das investigações, é certo que os policiais cometeram vários erros: o carro que usavam foi apreendido pelo 8º Distrito (a polícia não divulgou a quem pertence). Além disso, é proibido realizar batidas policiais sem o uso de pelo menos uma sirene no carro, mesmo descaracterizado. ‘‘Houve falha’’, admitiu o delegado geral da Polícia Civil, Artur Braga.
Nenhum colega de trabalho do delegado confirmou que ele estivesse sendo ameaçado. ‘‘Ele nunca comentou nada e acho que o que houve foi uma abordagem mal feita’’, disse o delegado Marcos Bordignon, titular da delegacia onde Castro trabalhava.
Os policiais envolvidos no caso foram recolhidos à Divisão Policial da Capital, onde aguardarão a conclusão do inquérito.

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