Luciana Pombo
De Curitiba
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) prendeu esta semana, em Curitiba, duas pessoas acusadas de participar de uma rede de produção e comercialização de fitas de vídeo e CD-rom com pornografia infantil. A investigação começou a ser feita no início do mês passado, quando a Interpol (Polícia Internacional) informou que algumas correspondências enviadas de Curitiba para a Bahia ofereciam fotos de meninas nuas com idades entre 6 a 16 anos. Na correspondência, uma pessoa identificada como LTomaz, dizia que tinha mais de mil fotos à disposição em CD-rom. Duzentas delas são fotos em preto e branco. Os CDs eram vendidos por preços que variavam entre R$ 15,00 e R$ 45,00.
Durante as investigações, os policiais do Sicride chegaram até o cobrador autônomo Sandro Roberto Grochentz, 36 anos. Ele foi preso em flagrante com dois CDs com fotografias de meninas nuas, um microcomputador e 108 disquetes vazios. Ele já tem passagem pela polícia por desvio de dinheiro público e está sendo autuado nos artigos 234 e 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê processo por publicar cenas de sexo explícito ou pornográfico envolvendo criança e adolescente e ter sob guarda para comercialização.
Em depoimento, ele confirmou que ofereceu cópias do material para duas pessoas. Ele disse que tinha uma caixa postal particular nos Correios, onde recebia as correspondências pessoais. Grochentz declarou que recebeu os CDs originais com as fotografias do cobrador autônomo, Allan Pereira Nakad, 24 anos, que também foi preso com uma fita de vídeo e o CD-rom. Ele é suspeito de ser o intermediador entre os produtores das imagens e os vendedores.
O delegado titular do Sicride, Harry Herbert, acredita que esteja diant e de uma grande rede de pedofilia e pornografia infantil.
‘‘Pegamos apenas uma ponta dessa rede. Funciona como um clube. Eles estão organizados’’, afirmou ele. Herbert não sabe ainda onde as fitas de vídeo e os CDs foram produzidos. A certeza é a de que a produção é nacional. Na fita de vídeo, as meninas falam em português.
Grochentz e Nakad não quiseram conversar com a reportagem da Folha. Eles foram encaminhados para o Centro de Triagem. O inquérito deverá estar concluído em dez dias.

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