James Alberti
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) investiga uma nova adoção ilegal na Região Metropolitana de Curitiba. É o quinto caso denunciado em duas semanas. Dois deles estão sendo mantidos em sigilo pela polícia. Os outros aconteceram em Pontal do Paraná, Campo Largo e Campina Grande do Sul. Duas crianças adotadas já foram localizadas, uma delas pela reportagem da Folha. O delegado do Sicride, Harry Herbert, acredita que a divulgação das histórias tem estimulado as famílias a denunciar.
Ontem Izinha Carneiro, 27 anos, parente de um casal que doou gêmeos, prestou depoimento no Sicride. Ela voltou a afirmar que os filhos de Natálio Fisrzt, 29 anos, e Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, foram adotados por um casal indicado pela zeladora Loreni dos Santos Oliveira, 35 anos. A zeladora, porém, acusa a empregada, de nome Sirlei, do apartamento 31 do edifício Batel Palace, do bairro Batel, em Curitiba, de ter intermediado a adoção. O casal de gêmeos nasceu em novembro de 1998, de sete meses. Agentes do Sicride procuram a empregada, que teria deixado de ir trabalhar, segundo sua patroa. A mãe das crianças é acusada de vender os bebês em troca de materiais de construção e cestas básicas por um ano.
Apesar das denúncias serem semelhantes, Herbert disse que ainda não tem certeza se os dois casos mantidos em sigilo se tratam de venda de crianças. ‘‘Ambos dependem de confirmação’’, afirmou. O delegado se nega a fornecer inclusive o nome das cidades onde os supostos crimes ocorreram. O que ele tenta investigar é se as mães receberam dinheiro pelos filhos. Segundo Herbert, a chamada adoção à brasileira (quando a mãe dá o filho de forma ilegal, mas sem receber dinheiro) é comum. ‘‘Dificilmente dá problema. Somente se a mãe se arrepende ou resolve tirar dinheiro dos pais adotivos’’, disse o delegado.
Dos cinco casos, dois estão praticamente resolvidos e deixaram de ter prioridade nas investigações. Um deles, é a doação de uma menina pela prostituta Elisabete Souza Brandão, 18 anos, de Campina Grande do Sul, a um casal de Joinville (SC) (veja ao lado). A criança foi localizada pela Folha na semana passada e, segundo o promotor de Justiça de Campina Grande, Octacilio Sacerdote Filho, não houve venda.
O outro caso já solucinado, pelo Sicride, é a adoção do filho da servente Maria Nascimento Silva, 38 anos, de Pontal do Paraná. O bebê foi adotado pelo engenheiro civil da Prefeitura de Curitiba, Antônio Ricardo Siqueira, e sua mulher, Luiza Helena Siqueira, ambos de 39 anos.

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