Investigações e um outro olhar sobre o caso
A exemplo da maioria das pessoas, a jornalista acreditou na primeira versão dos fatos apresentados pela imprensa que cobria o caso. Não queria me envolver num caso em que pessoas arrancavam o coração de criancinhas inocentes e tomavam o sangue delas. Fui questionada pelo editor do jornal se eu conhecia verdadeiramente os fatos e percebi que agia com preconceito.
Na busca de uma nova versão, foram meses de investigação, um trabalho árduo. Dúvidas, questionamentos e respostas que aos poucos, foram mudando o rumo da história. Perseguições e o pré-conceito de muitos, fizeram com que Vânia fosse apontada nas ruas como a repórter bruxa, como lembra a jornalista durante a entrevista à reportagem da Folha.
Questionada se realmente se convenceu da inocência das acusadas e quando isso aconteceu - e passou a defendê-las e não simplesmente a relatar os fatos -, a jornalista explica que na terceira matéria publicada teve absoluta certeza da inocência das rés. A certeza veio baseada em fatos como o exame de DNA, que não comprovara a identidade do corpo encontrado e pelo laudo do exame da arcada dentária, assinado com base apenas em uma declaração. Outras suspeitas pairavam sobre o fato da investigação não ser feita pela Polícia Civil, mas pelas polícias Militar e Federal, além da constatação de pequenos detalhes apurados pela repórter.
O público passou a ter dúvidas sobre a culpa das acusadas. Muita gente que condenou, pedia perdão para elas, depois de conhecer os verdadeiros fatos, declarou. Meu trabalho fez com que as pessoas passassem a ter um outro olhar sobre o caso.
Sem nenhum constrangimento, a jornalista confessa que também errou. Pedi perdão a elas (Celina e Beatriz) pela minha arrogância e pelo meu preconceito. Aprendi que não podemos fazer nenhum juízo de valor sem conhecer todos os fatos.
Nem o maior prêmio do jornalismo supera a realização de ter ajudado a encontrar a verdade. O Prêmio Esso é importante, mas meu maior prêmio foi a saída delas da prisão e o resgate da vida de cada uma.
Hoje, um livro de 294 páginas está pronto, aguardando para ser publicado. Escrito na primeira pessoa, a jornalista relata a história que ainda não terminou. Definido o nome do livro A Lenda Urbana - As Bruxas de Guaratuba - A tragédia das Abagge, Vânia Welte defende que a história toda foi uma mentira, capaz de marcar para sempre a vida das acusadas. Nós, jornalistas, temos uma responsabilidade social muito grande. Podemos destruir vidas, mas devemos reconstruir.(M.O.)





