Investigação terá promotor especial
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sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Lorena Aubrift Klenk<bR> Da Sucursal 
O procurador geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior, deverá designar um promotor para acompanhar as investigações da Delegacia de Antitóxicos, cujos delegados, investigadores e escrivãos foram afastados quarta-feira pela direção da Polícia Civil, em meio a denúncias de extorsão e aliciamento de menores. A parceria foi definida em acordo com o delegado Adauto de Oliveira, que assumiu provisoriamente o comando da Antitóxicos.
Segundo Sotto Maior, a intenção é manter um promotor especial acompanhando os casos mais significativos que passarem pela delegacia durante o período de reestruturação. Ele estaria presente, por exemplo, nas apreensões de grandes quantidades de entorpecentes.
O delegado Adauto Oliveira se adianta a possíveis reações no meio policial, onde a participação do Ministério Público na fase de investigações muitas vezes é vista como interferência indevida. Sei que colegas meus vão dizer que estou entregando a polícia ao Ministério Público, mas é preciso tornar mais límpida a ação policial, afirma.
A mudança determinada quarta-feira é a segunda na equipe da Antitóxicos em dois meses. A Promotoria de Investigações Criminais tinha informações sobre irregularidades na especializada há vários meses e havia encaminhado os casos para a corregedoria da polícia.
Dois casos funcionaram como estopim para o afastamento dos 35 policiais da delegacia. Um deles foi a denúncia de um empresário que afirma ter sido extorquido para se livrar de um flagrante por tráfico de drogas. O outro foi denunciado pelas mães de duas adolescentes que estariam sendo usadas por policiais para atrair pessoas com o objetivo de extorsão. Seis policiais estão sob investigação da Corregedoria.
Além da corregedoria, também a Ouvidoria Geral do Estado recebe denúncias frequentes contra policiais civis. Nos últimos 20 meses, foram 44 casos, incluindo agressão de policiais contra cidadãos, abuso de autoridade, extorsão e tentativa de suborno. No mesmo período, a ouvidoria recebeu quatro denúncias de abuso e agressão praticados por PMs.


