Investigação sobre delegados é mantida
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A declaração do suposto líder de uma quadrilha de roubos de cargas, Mário Fogassa, em entrevista a TV Bandeirantes na última quarta-feira, não terá qualquer peso no procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil contra os delegados Armando Garcia e Margareth Motta e o superintendente Hélcio Piasseta, da Estelionato e Desvio de Cargas, em Curitiba. Eles foram acusados em ação do Ministério Público (MP) de facilitar a atuação do bando, mediante pagamento de propina. Na entrevista à emissora de TV, Fogassa inocenta os policiais de envolvimento com a quadrilha.
O corregedor Adauto Abreu de Oliveira garantiu, ontem, que o único documento oficial é a gravação de conversas telefônicas entre Fogassa e os delegados anexadas à ação movida pelo MP e, por isso, vai continuar investigando o envolvimento dos policiais com a quadrilha.
A Corregedoria instaurou procedimento administrativo, também, contra o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro. Fogassa teria pedido ao delegado o afastamento da delegada Margareth do caso de apreensão de uma carga de jaquetas. Estão sendo apurados, ainda, o envolvimento de policiais na expedição de três carteiras de identidade que Fogassa possuía, quem autorizou o porte de arma para o quadrilheiro e quem cedeu armas da polícia ao deputado Carlos Simões (PTB), já que, segundo Abreu, cargas de armas foram apreendidas numa chácara do parlamentar. O que Abreu apurou até agora é que uma investigadora da Delegacia de Armas e Munições teria cedido o armamento a Simões.
O material foi apreendido durante o cumprimento de mandados de busca. A Promotoria de Investigações (PIC) cumpriu 14 dos 15 mandados expedidos. Entre as armas apreendidas estão uma carabina Roffi calibre 38, da Polícia Civil, duas carabinas 22 tipo Sniper com luneta e silenciador, pistolas e revólveres. O juiz de Rio Negro, Hélio Engelbert, disse que há ainda rádio-comunicadores e aparelhos para obstruir sinal de satélite.
O advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto, que representa os delegados Armando Garcia e Margareth Motta e o superintendente Hélcio Piasseta, deve encaminhar hoje à Justiça de Rio Negro, cópia da gravação da entrevista de Fogassa para a TV Bandeirantes. Figueiredo entende que com a declaração de Fogassa, a Justiça deixa de ter elementos para manter Garcia e Piasseta presos.
Eles estão detidos na Custódia Especial da Polícia Civil desde sexta-feira da semana passada. Margareth continua foragida. ''Espero que o juiz reveja sua posição inicial, indepentende do processo de habeas corpus'', disse. Figueiredo entrou com pedido de soltura, mas até a tarde de ontem o processo não havia sido julgado. A defesa de Carlos Simões alega ter provas de que as armas são documentadas e possuem procedência legal, com autorização para uso nas chácaras.


