Investigação na UEL terá perícia judicial
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
A Construtora Mercosul de Projetos e Obras Ltda, empresa de Toledo responsável pela edificação do anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), conseguiu através de liminar a nomeação de um perito judicial para acompanhar o trabalho do Instituto de Criminalistica (IC) e da comissão de sindicância da instituição. A queda da marquise do anfiteatro, ocorrida no dia 12 de fevereiro, deixou duas pessoas mortas e outras 22 feridas.
Para se proteger de futuras ações por danos morais ou materiais, de acordo com o departamento jurídico da UEL, a empresa entrou com uma ação cautelar de produção antecipada de provas, que na prática proíbe a retirada de fragmentos ou entulhos que estejam em meio aos escombros. A UEL informou ainda que a liminar que autoriza a nomeação de uma perícia paralela concedida pelo juiz Rafael Vieira de Vasconcelos Pedroso, da 3 Vara Cível de Londrina não altera em nada o trabalho do IC e da comissão da universidade.
''A empresa ingressou com essa ação para garantir a integridade das provas, como medida de proteção. A UEL entende isso como normal, já que nem a comissão ou a Criminalística tem retirado provas dos escombros'', ponderou a advogada da UEL, Marinete Violin. ''E quando a perícia judicial terminar, o processo se extingue'', prosseguiu. O engenheiro civil José Aloizio Leoni Mansur é o perito nomeado pela Justiça. ''Ele deve ser intimado e decidir se aceita o encargo'' explicou a advogada.
Prevenção O prefeito do campus, professor Laerte Matias, informou ontem que a universidade irá contratar uma empresa para diagnosticar o estado de conservação de alguns prédios e edificações do campus. A intenção, segundo ele, é identificar algumas ''patologias'', como rachaduras e infiltrações, que poderiam indicar a necessidade de intervenção. Apesar da reclamações, o prefeito garantiu que nenhum prédio oferece esse tipo de risco. ''É uma medida de prevenção. Queremos uma segunda opinião, uma garantia que não há riscos. Mas tenho certeza que não há chance de acontecer um desastre como o do anfiteatro'', afirmou.
Ontem, utilizado um aparelho chamado de pacômetro, o IC iniciou a retirada de corpos de prova (materiais de construção) da viga que ajudava sustentar a marquise. O material deve ser encaminhado para análise laboratorial em um instituição credenciada. Itaipu Binacional, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Cefet/PR são os locais mais prováveis. Outro tipo de teste, que vai verificar se as vigas do bloco de fundação continham alguma fissura, também começou a ser realizado ontem pelo IC.


