Investigação envolveu até o Tigre
Uma semana depois do desaparecimento do médico, quatro investigadores do Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais) chegaram a Maringá a pedido do delegado-adjunto Roberto Fernandes, da 9ª Subdivisão Policial. Havia a possibilidade de o médico ter sido sequestrado, apesar de até aquele momento a família não haver recebido pedido de resgate.
Os policiais do Tigre interrogaram familiares, empregados, amigos e médicos ligados a Coimbra Jr. e compararam esses depoimentos com os tomados pelos policiais de Maringá, comandados pelo delegado Fernandes. Nenhuma contradição nos depoimentos foi encontrada.
Também foram investigadas as famílias de pacientes crônicos de Coimbra Jr. que morreram após cirurgias cardíacas. O médico é cardiologista, com curso de especialização no Instituto do Coração de São Paulo (Incor). Sua média de óbitos de pacientes crônicos era de 3%, índice considerado normal pelos padrões da Medicina. Nada foi encontrado com relação a uma possível vingança de familiares descontentes com o tratamento utilizado pelo médico.
Transcorridos seis meses do desaparecimento de Coimbra Jr. a polícia só tem uma pista concreta: um carro Ômega azul, com placas de Bauru (SP), ocupado por três pessoas, que estava estacionado em frente à clínica do médico na Avenida Independência desde às 6h30 horas do dia 22 de julho de 98.
Uma testemunha ocular, funcionária da empresa Bip-Texto, que fica ao lado da clínica, contou à polícia que viu um rapaz descer do carro, entrar na clínica por volta das 8 horas e perguntar pelo médico. Outra testemunha, logo depois, viu o médico conversando com um homem moreno de terno escuro e de cabelos curtos enquanto caminhavam pela avenida, nas proximidades do clínica. O homem teria mostrado um pedaço de papel a Coimbra.
A secretária da clínica disse à polícia que o médico, por volta das 8h30, deixou no balcão de sua clínica carteira e chaves, levando apenas o telefone celular e dizendo que iria fazer uma rápida visita a um paciente seu internado no Hospital Santa Rita, a 50 metros da clínica, do outro lado da rua.
O Grupo Tigre, depois de uma semana de trabalho, descartou a hipótese de sequestro. Os policiais grampearam o telefone da casa de Jorseli, no bairro Jardim Social - dois deles (um de Maringá e outro de Curitiba) dormiram lá durante 30 dias. (M.W.V.)





