Investigação chega a um novo nome
Investigação
chega a um
novo nome
Carlos Okuyama retirou laudos no Adolfo Lutz
Benê Bianchi
Josoé de CarvalhoDepoimentosJosé Volpato, Gilmar Sartori e Antonio Chaves (da esquerda para a direita) ontem na Câmara: pagamento foi feito a Fredemax MotaA Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga o escândalo do leite em Londrina já tem o nome da pessoa que retirou os laudos com os resultados das análises do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. É Carlos Okuyama. Mas os vereadores da CEI ainda não conseguiram localizar ou saber quem exatamente é essa pessoa.
A CEI apura denúncias de tentativa de extorsão contra as cooperativas Cativa, de Londrina, e Central Norte, de Apucarana.
O delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antonio de Melo, que preside o inquérito policial sobre o caso, também está tentando localizar Carlos Okuyama. A informação sobre o nome da pessoa foi repassada pelo próprio instituto, que encaminhou à Câmara uma cópia do documento assinado por Okuyama. Há informações extra-oficiais de que ele teria entregue os laudos nas mãos de Fredemax Mota, apontado como assessor do ex-vereador Jaci Aguiar (PDT) e denunciado por tentativa de extorsão.
Amostras de oito marcas de leite - inclusive da Cativa e da Central Norte - foram colhidas em 17 de março, atendendo requerimento da Câmara. No dia 30, sem o conhecimento da Câmara, Fredemax Mota teria feito a coleta de outras quatro marcas de leite de Arapongas e Rolândia.
Os laudos das oito primeiras coletas teriam sido usados para tentar extorquir R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte. Além de Mota, são acusados Aristeu Rodrigues, ex-assessor do vereador Alvair de Souza (PL), e José Rojas Gavilan, ex-assessor de Beto Scaff (PSDB). Segundo diretores da Cativa e da Central Norte, os acusados exigiram dinheiro para não divulgar laudos desfavoráveis.
Ontem prestaram depoimentos à CEI os produtores de Arapongas José Volpato, da marca Volpato; Gilmar Sartori, da marca Triângulo, e Antonio Francisco Chaves, do leite Mamelle. Eles confirmaram que foram procurados por Fredemax Mota, que lhes propôs encaminhar as amostras de leite ao Adolfo Lutz para análise. Pelo serviço, cada produtor pagaria R$ 350,00.
José Volpato disse que pagou apenas R$ 175,00 com cheque nominal a Fredemax Mota. Os dois outros produtores fizeram o pagamento no valor total em cheque nominal ao instituto paulista. Os membros da CEI solicitaram aos produtores que tentassem conseguir cópias dos cheques para que possam chegar à pessoa que os depositou ou descontou diretamente no caixa, ou mesmo para saber se foram depositados pelo instituto.
Os produtores não quiseram dar detalhes para a imprensa. Comentaram apenas que fazem análises periódicas de seus produtos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e resolveram enviar amostras ao Instituto para ter um laudo a mais.
A CEI reconvocou o vereador Jaci Aguiar para depor às 14 horas de terça-feira, mas ele já avisou que não vai comparecer. Aguiar alega que o presidente da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), teria dado declarações favoráveis à Cativa e por isso estaria sob suspeita para presidir a comissão. Também para terça-feira foi reconvocado o motorista da Câmara Márcio Vidoto, que levou as amostras de leite para análise, na companhia de Fredemax Mota. Em seu depoimento, no inquérito policial, Vidoto disse que também viajou no carro da Câmara a mulher de Mota. Ele não havia dado essa informação à CEI. Mota também poderá ser reconvocado.
A 17ª Regional de Saúde já definiu para início de junho e início de julho as coletas dos leites Londrina e Cativa para novas análises. A solicitação foi feita pelo promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti.





