'Investe-se menos em relacionamentos'
Para a psicóloga Maria Luiza Marinho Casanova, o rol de solitários, hoje, é muito grande, especialmente em decorrência da correria do trabalho. ''Investe-se menos em relacionamentos e troca-se o contato real pelo virtual para driblar a solidão. Há até quem minta para agradar o outro'', descreve a psicóloga.
Segundo ela, no entanto, há quem tenha prazer em realizar atividades sozinho e, ocasionalmente, vive episódios de solidão. ''Me sinto só mas não sou só'', diferencia Maria Luiza. Avaliar quanto tempo a pessoa se sente só - se são alguns momentos do dia, todos os dias - é um dos caminhos que indicam solidão. ''Estar sozinho tem seu lado bom, como refletir sobre a vida e até fazer o que dá prazer sem sentir culpa.''
Busca de felicidade rápida, pressa em atingir resultados, transportar a tecnologia para os relacionamentos potencializam o sentimento de solidão, lembra a psicóloga, alertando que a relação nunca será intensa, boa e prazerosa se o indivíduo não gastar tempo para conhecer e confiar no próximo. ''E normalmente as pessoas dão pistas do jeito delas, de que podem vir a ser um bom amigo ou até namorado'', diz Maria Luiza, lembrando que o medo surge na falta de investimento no relacionamento com o outro.
''A pessoa deve sempre prestar atenção no que sente e não no que outro acha que ela deve sentir, deve aprender a não se submeter à pressão social. Para isso é preciso paciência para dar tempo de o sentimento surgir.''
Saber onde encontrar amigos com interesses parecidos, com os quais é possível cultivar relações de qualidade, estabilidade e reciprocidade é a principal medida contra a solidão, sugere a psicóloga, para quem a busca espiritual também favorece as amizades. Mas ela alerta: ''Estilo de vida dos solitários, de passividade e vulnerabilidade diante das situações, pode levar a uma enfermidade física. Solidão, depressão e ansiedade são os sentimentos do mundo moderno'', conclui. (M.G.)





