Inverno é época de catapora
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Nesta época do ano as mães precisam ficar em alerta. Além das doenças respiratórias, são comuns nestes meses os casos de catapora. Só no Pronto-Atendimento Infantil (PAI), uma média de quatro casos estão sendo atendidos por dia. Também conhecida por varicela, é uma das doenças de mais fácil transmissão na infância e causa grande incômodo, entre eles febre alta e pequenas bolhas, que depois se transformarão em feridinhas, provocando muita coceira.
A doença geralmente é benigna, mas algumas complicações podem acontecer. Segundo a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, entre as complicações possíveis estão a formação de abscessos, celulite, artrite, pneumonia e, mais raramente, doenças cardíacas. Esta semana, em Londrina, um caso evoluiu para meningite viral, mas a Secretaria mantém as informações sob sigilo.
''A catapora não é uma doença de notificação obrigatória, por isso não podemos afirmar que os casos estão aumentando. O que chega até nós são os casos que evoluem para infecções secundárias, como este de meningite'', informa a gerente. Ela diz ainda que a prevenção é difícil por causa do período de incubação, quando o vírus (Varicela-Zoster) está sendo transmitido mas a doença ainda não se manifestou na pele. ''A transmissão acontece geralmente de um a dois dias antes de começarem as erupções e até cinco dias após. É sabido, porém, que há risco de transmissão até o desaparecimento por completo das crostas.''
A catapora era ainda mais comum antes da descoberta da vacina, criada no Japão no início dos anos 70. Em meados da década de 90 ela passou a ser amplamente utilizada nos países ocidentais, mas no Brasil ainda não faz parte do Calendário Básico definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Capaz de resultar em uma proteção de 97%, a vacina pode ser encontrada em clínicas particulares, a um custo médio de R$ 120,00. Quem já teve a doença, porém, pode ficar mais tranquilo. Uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune por toda a vida. Porém ele permanece no organismo e, futuramente, provocar uma doença conhecida como Herpes-Zoster, também conhecida por cobreiro.
O pediatra Álvaro Luiz de Oliveira recomenda a vacinação, a partir de um ano de vida. ''É uma doença bem desconfortável para a criança, prejudica sua vida escolar e a rotina de trabalho das mães''. Como a transmissão do vírus ocorre por contato direto através da saliva ou secreções respiratórias da pessoa infectada, ou por contato com o líquido do interior das vesículas, o recomendável é que o paciente permaneça em casa, e evite contato com que ainda não teve a doença. O período de incubação dura em média 15 dias e a recuperação completa ocorre de sete a dez dias depois do aparecimento dos sintomas.
''O tratamento é sintomático, com boa higienização da pele. Recomenda-se dois banhos diários com permanganato de potássio, roupas leves e alimentação normal'', diz o médico. A febre, alerta, deve ser controlada com dipirona e paracetamol.


