Os sons habituais de um sábado em Londrina se misturaram a cordas, metais, percussões, instrumentos exóticos e muitas vozes no Dia Internacional da Música, celebrado ontem pela terceira vez na cidade. Tudo de graça, atraindo um público tão diverso quanto os gêneros musicais apresentados durante todo o dia em pelo menos 16 locais, por mais de 200 músicos da região. Como o evento não conseguiu patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura neste ano, nenhum artista recebeu cachê para tocar.
  A data, instituída na França em 1982 como uma forma de comemorar com música a chegada do verão naquela região, foi bem-vinda também na chegada do inverno brasileiro. A diretora da Aliança Francesa em Londrina e idealizadora do evento, Elisabeth Dei Ricardi, diz que a celebração caiu como uma luva aqui. ‘‘Londrina é uma cidade musical, com muitos talentos’’, elogia. A diretora acredita que a organização do evento no município seja a mais significativa do país, ‘‘porque Londrina tem um perfil de cidade francesa, onde você pode andar de um lado para outro’’.
  A comparação é plausível, como provou a família do empresário Adelino Neves, 43 anos. Pai, mãe e as duas filhas pequenas sairam de casa, na Gleba Palhano (zona sul), especialmente para assistir as apresentações na região central. ‘‘Superou minhas expectativas. A música é agradável e contribui para a formação da sensibilidade das crianças’’, destacou Neves. A família iniciou a maratona de manhã, em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde, prestigiando o repertório variado da Banda da Polícia Militar. Só caminhando a pé pelo centro, eles poderiam conferir várias outras atrações no Calçadão, na Concha Acústica, no shopping Royal Plaza, no Museu Histórico e no Shopping Popular.
  Ao contrário de Neves, muita gente descobriu as apresentações por acaso. Uns passavam e davam só uma espiadinha; outros espiavam e acabavam ficando. Apesar do barulho de buzinas, alarmes, auto-falantes e sons eletrônicos nas lojas, a música falou mais alto. ‘‘Estava no meu salão quando ouvi a viola e vim conferir de perto’’, explicou o cabeleireiro e violeiro aposentado João Borges Silva, 61 anos. ‘‘Eu não sabia que era dia da música. Vim fazer outras coisas no centro, mas como gosto muito de música, parei pra ver a banda’’, disse André Bertoni, 22.
  No Shopping Popular, 87 crianças fizeram uma apresentação ‘‘de parar o comércio’’. Dezenas de pessoas se apertaram num espaço pequeno do Camelódromo para ver alunos de 6 a 14 anos tocando violino e se apresentando em coral. As crianças fazem parte do projeto ‘‘Musicalizando na Escola’’, realizado há dois anos em escolas públicas da periferia, com apoio do Programa Municipal de Incentivo a Projetos Culturais (Promic). A aluna Alice Cristina da Cunha, 14 anos, uma das integrantes do coral, se apresentava em público pela primeira vez. ‘‘No começo fiquei bem ansiosa, mas foi muito bom. Todas as pessoas têm que vivenciar a música, a música é nosso presente’’, opinou.

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