Luciana Pombo
Entre os meses de junho e agosto aumenta em cerca de 60% o número de casos de queimaduras ocorridas por causa de acidentes com água quente ou com as chamadas ‘‘espiriteiras’’ - potes de alumínio com algodão e álcool normalmente usados em banheiros para aquecer o ambiente. Os dados são do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba que, durante este período, atende em média 18 acidentes por mês com espiriteiras.
Segundo o responsável pelo Serviço, José Luiz Takaki, este tipo de acidente ocorre no inverno, por causa da necessidade dos usuários em esquentar os ambientes, especialmento na hora de tomar banho. ‘‘O que as pessoas não sabem é que as espiriteiras não aquecem o local, elas queimam o oxigênio do ar, sendo responsáveis por pequenas explosões e acidentes graves’’, afirmou o médico.
Esta semana, Takaki atendeu uma menina de 8 anos que sofreu um acidente antes de entrar no chuveiro. A mãe colocou uma espiriteira no banheiro para esquentar o ambiente. Loana sofreu queimaduras de 2º grau na lateral do corpo, mão esquerda e os membros inferiores. ‘‘Ela está perdendo muito líquido e terá que ficar internada por dez dias’’, declarou o médico.
Para Takaki, o que falta na realidade é orientação. ‘‘Acho que as pessoas não sabem que podem se acidentar utilizando este tipo de material, o álcool deveria ser proibido para este fim’’, afirmou ele. De acordo com os dados apresentados pelo médico, 24,17% das ocorrências atendidas são ocasionadas pelo uso inadequado do álcool. Para esquentar ambientes, segundo ele, apenas os aquecedores são indicados.
Segundo as estatísticas levantadas pelo Hospital, durante o ano passado foram atendidas 2.747 pessoas com queimaduras. 43% delas tiveram escaldaduras, ou seja, queimaduras ocasionadas por água quente. ‘‘Esta é uma preocupação grande, porque este tipo de acidente ocorre geralmente com crianças e dentro da cozinha’’, alertou ele. Outras causas de acidentes durante o período de inverno, de acordo com Takaki, são o uso de fogos de artifícios (principalmente durante festas juninas), balões e fogueiras.
A comercialização das espiriteiras, que podem ocasionar sérios acidentes, é liberada em Curitiba. Nas Lojas do Pedro, por exemplo, uma espiriteira custa entre R$ 13,00 e R$ 25,00. Os modelos comercializados são feitas de latão ou aço e não são recomendadas para uso em ambiente domiciliar. Geralmente elas são vendidas para restaurantes. O mais comum, contudo, é que as pessoas usem panelas ou latas vazias de qualquer produto como recipiente para colocar o álcool e atear fogo.

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