Maringá

Marcos NegriniDurabilidadeTelhado de multivigas metálicas usado na Casa Mortuária de Nova Esperança: fácil implantaçãoMais de 70 empresas brasileiras já estão trabalhando com um novo sistema de cobertura de casas populares, idealizado pela engenheira civil e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Marcela Paula Maria Zenin Meneguetti. Na semana passada, em Foz do Iguaçu, ela ganhou o primeiro prêmio do 4º Concurso Falcão Bauer de Construção Civil com trabalho sobre essa nova técnica, que utiliza vigas de aço.
O concurso é promovido anualmente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) de Goiás. O trabalho foi apresentado em agosto, durante a realização do 67º Encontro Nacional da Indústria da Construção, realizado em Goiânia.
A professora inventou o sistema há três anos. ‘‘Minha preocupação sempre foram os telhados, principalmente os destelhamentos das casas populares provocados pelos ventos. Por isso pensei no aço, inventando um sistema simples em que o telhado fica integrado ao resto da casa’’.
Ela explica que as vigas podem ser feitas à mão por qualquer pessoa com baixo conhecimento técnico de engenharia. Basta ter um cavalete metálico para dobrar as treliças ou vigas metálicas. Empresas brasileiras com sedes no Rio, São Paulo e Paraná adquiriram esses cavaletes através de franquias de uma indústria paulista, que fabrica o aço e trabalha em parceria com a professora.
A estrutura metálica chega pronta da fábrica de aço. Com o cavalete, a estrutura é cortada de acordo com o tamanho do telhado. As vigas (de 8 metros a 12 metros) são apoiadas diretamente sobre as paredes. A treliça é formada por três perfis: a cantoneira, o ‘‘T’’ e o redondo, que substituem o gradeamento de madeira, formado por ripas, caibros, terças e tesouras. As vigas metálicas são amarradas com fios de aço nos beirais.
A professora diz que as vantagens são muitas, além do preço ser equivalente ao de um telhado de madeira convencional: não provoca goteiras, a durabilidade, a solidez e a resistência são maiores (as vigas são pintadas para evitar corrosão), além da resistência ao fogo.
O sistema inventado pela professora da UEM já foi utilizado em 150 casas populares de Ivaté (PR); no Conjunto Castelo Branco, em Cambé; na sede do Circo Beto Carrero, em Santa Catarina; em postos de combustível e está sendo usado num ginásio de esportes de Paiçandu (7 km de Maringá). O preço de um telhado de multivigas para casas populares é de R$ 14,00 o metro quadrado.
Em Nova Esperança (35 km de Maringá), o sistema de vigas metálicas foi instalado há dois anos na Casa Mortuária, ao lado do cemitério municipal. A zeladora Teresa Encarnación Gonzalez, 51 anos, garante que nunca viu uma gota d‘água cair do telhado, mesmo durante os temporais.
A professora não registrou sua invenção a tempo, de acordo com as regras e exigências da Lei de Patentes, e foi obrigada a fazer a concessão da marca a uma fábrica paulista porque não tinha recursos para desenvolver a pesquisa. Ela está terminando tese de doutorado pela USP (Universidade de São Paulo) sobre as vigas metálicas. Já fez mestrado, também na USP, sobre telhados.

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