A criação da armadilha não aconteceu por acaso. O comerciante de produtos agrícolas, João Edson Donatti, de 44 anos, morador de Cianorte, enfrentou um problema sério na família, antes de ter a grande idéia. Em 2001, o irmão que é padre e viaja muito pelas regiões Norte e Nordeste do país, contraiu a dengue por duas vezes. Na segunda vez, a hemorrágica, quase o levou à morte. ''Você se vê numa situação de necessidade, precisa fazer alguma coisa para tentar resolver o problema que afeta muita gente''.
Foram três tentativas. A primeira capturava apenas as larvas; a segunda, o mosquito e a terceira e definitiva, além de capturar a fêmea, impedia que ela depositasse os ovos na água. A idéia surgiu de uma observação de uma semente de canola que caiu dentro de um bebedouro. ''O movimento da semente na água, numa espécie de labirinto, me fez criar a armadilha'', afirmou Donatti.
Ele ressalta que a invenção não contamina o meio ambiente, utiliza água de torneira ou da chuva como atrativo (isca) e é autosuficiente, reabastecendo-se com a própria água da chuva. ''A armadilha pode ser colocado no quintal da casa. A captura é contínua e a fêmea não tem contato com a água, não conseguindo depositar os ovos''.
O processo de fabricação da armadilha já está em andamento. Uma fábrica própria, montada em Cianorte em sociedade com um amigo, vai garantir a produção de 1,6 mil armadilhas por dia. Os primeiros módulos já estão prontos para serem fabricados.
O preço, comparando custo e benefício, deve ser ''barato'', afirma o inventor, sem indicar valores. Os primeiros módulos do produto já estão prontos. ''O mais importante é que encontrei pessoas que acreditaram no meu trabalho, tanto na pesquisa quanto na fabricação''.
O inventor, que já tem outros produtos patenteados, relembra que a armadilha apenas colabora no controle da doença. ''A população precisa continuar ajudando''. (M.O.)

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