O professor Rubens Ferronato, 37 anos, de Cascavel, inventou um mecanismo que simplifica difíceis cálculos matemáticos, e que pode ser manuseado inclusive por portadores de cegueira. Ferronato, que leciona a disciplina de cálculo diferenciado integral no curso de Ciência da Computação da Universidade Pan-Americana, está patenteando o invento, produzido com materiais alternativos, e ao qual deu o nome provisório de ‘‘geoplano’’, por ter uma base geográfica plana.
O ‘‘engenho’’ é composto de uma peça de eucatex com perfurações, com 30x45 centímetros, rebites, elásticos, borrachinhas de prender dinheiro e pedaços de arame. Inserindo os rebites nos ‘‘buraquinhos’’, é possível formar gráficos, curvas, equações, parábolas, plano cartesiano e outros elementos de cálculos, em espaços que são demarcados pelas peças elásticas. Em termos, o professor Ferronato se baseou em trabalhos do educador francês Jean Piaget e no método braile – escrita que pode ser decifrada por cegos através do tato.
Ivan de Pádoa, 20 anos, aluno do 1º ano de Ciência da Computação, é cego desde os 8 anos. ‘‘Não tinha como entender gráficos, mas agora faço até parábolas’’, contou. Uma operação simples, de multiplicação (5x8), ensinada a crianças, exemplifica como funciona o ‘‘geoplano’’: coloca-se dois rebites distantes oito espaços (os existentes entre os furos) um do outro, em um sentido, e no outro sentido distantes cinco espaços, cerca-se os rebites com uma borrachinha, e a seguir conta-se o número de espaços: 40.
Rubens Ferronato relata que passou a imaginar um invento quando soube que havia um cego matriculado no curso. Não sabendo o que fazer, mas adepto de métodos pedagógicos alternativos, procurou materiais para realizar seu invento. Em uma casa de materiais de construção, viu ‘‘uma placa de eucatex quebrada, que custou mais barato’’.
Ele se convenceu de ter achado a primeira peça para o ‘‘engenho’’, por causa da geometria dos furos da placa. Depois, em uma loja de aviamentos comprou rebites e elásticos, ‘‘por acaso’’. A seguir, juntou pedaços de arame e as borrachinhas, e foi tornando real o quebra-cabeças que tinha em mente. O ‘‘geoplano’’ foi montado com rapidez e engenhosidade. Na noite de estréia, na universidade, Ivan de Pádoa conta que, em 40 minutos de aula, aprendeu mais que nos dois primeiros meses do curso.

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