Invento evita contato manual em canudo
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quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Áureo Nogueira 
Estava em um barzinho na praia e pedi um refrigerante. O barman, que estava cortando peixe, abriu a garrafa e pegou um canudinho, sem lavar as mãos, conta Marcos Antônio Aldenucci, para revelar como surgiu a idéia de criar um instrumento que permitisse colocar o canudinho dentro da garrafa sem o contato manual.
Ao retornar para casa, discutiu a idéia com Aparecido Francisco Alves, colega de trabalho no departamento de manutenção da Caciqueá - Café Solúvel, em Londrina. A partir daí, começaram as experiências que, três anos depois, levaram à invenção de um porta-canudos automático. O aparelho é simples, mas pode ter grande utilidade em bares, restaurantes e até em carrinhos de cachorro-quente. Além de ser prático, garante manipulação higiênica, argumenta Marcos Antônio.
O invento já foi patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Mas o problema dos inventores londrinenses é que não dispõem de recursos para iniciar a produção industrial e a comercialização do aparelho. Estamos na expectativa de conseguir um parceiro, destaca Aparecido Francisco Alves. Só agora, com mais de 40 anos, percebo por que Santos Dumont foi fazer o primeiro vôo na França, ironiza Marcos Antônio para dizer que o País não oferece nenhum incentivo aos seus inventores.
Marcos Antônio e Aparecido Alves se dedicaram ao projeto somente nas horas vagas. A idéia é simples, mas executá-la deu muito trabalho, apesar da nossa experiência em mecânica, detalha Aparecido, acrescentando que certamente o protótipo será melhorado ainda mais no processo industrial. Os materiais que usamos, inclusive aço, devem ser mudados para algum sintético.
Os inventores, que moram no Jardim Bandeirantes (bairro de trabalhadores na zona oeste), entendem que a idéia pode render milhões de reais e até mesmo de dólares. Não nos iludimos. Entretanto, sabemos que se o projeto for viabilizado comercialmente poderá render milhões. Basta imaginar, por exemplo, quantos pontos de venda de Pepsi e Coca-Cola existem no Brasil e no Mundo, assegura Marcos Antônio. Se tivéssemos na ilusão, abandonaríamos o emprego e iríamos correr atrás da viabilização do projeto, emenda Aparecido.
Marcos Antônio e Aparecido Alves estão dispostos a discutir qualquer proposta para acertar uma parceria que viabilize a comercialização do invento. Não adianta ter conseguido inventar algo útil se ficarmos somente no protótipo. Precisamos produzi-lo em escala comercial, acrescenta Marcos Antônio. Os interessados podem ligar para o telefone (043) 324-7557.


