Invento descasca nozes sem quebrar castanhas
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Pedro Livoratti 
Encontrar uma solução cômoda para a irritante tarefa de quebrar cascas de nozes, avelãs e de todo tipo de fruta consumida durante as festas de final de ano: este foi o desafio abraçado pelo funcionário público aposentado José Xavier Minikowski. Com sucesso. No final do mês passado, ele patenteou a Máquina para Quebra de Frutas de Cascas Resistentes.
Tinha a intenção de produzir algo que pudesse fazer a operação sem desperdício das castanhas e, ainda, evitando espalhar as cascas, explica o aposentado. Um anteprojeto da invenção ocupa atualmente um canto da cozinha de seu apartamento. Há cerca de um ano, Minikowski vem descascando este tipo de fruta, que envia para sua filha, proprietária de uma fábrica de chocolates e de tortas dietéticas em Brasília. A idéia de criar algo do gênero partiu da falta de alternativas no mercado, já que os conhecidos aparelhos quebram, além das cascas, também a fruta.
Ele diz que sua máquina é indicada para proprietários rurais, que produzem sobretudo a noz pecã, variedade nacional da fruta, mas é indicada também para as donas-de-casa.
A invenção possui mais de 200 peças, mas tem um princípio simples de funcionamento. Sobre uma plataforma em fórmica, a máquina sustenta dois cilindros ajustáveis e um martelo que se encaixa em matrizes que variam conforme o tamanho da fruta. Os cilindros podem ser acionados manualmente ou através de um pedal semelhante ao existente em máquinas de costura.
Para facilitar o trabalho, José Xavier projetou duas gavetas acionadas também por pedais. Uma escoa as nozes, avelãs, enfim, as frutas; e outra separa as cascas quebradas. Esta última pode ainda ser substituída por saco plástico que desemboca no lixo.
Nenhum detalhe foi esquecido pelo aposentado, que se preocupou com todas as etapas operacionais. Os pedais podem inverter de posição se o quebrador for canhoto. A operação não dura mais que 30 segundos.
Outra preocupação do inventor foi com o item resistência. Para suportar tanta quebração, a máquina é toda em ferro. O protótipo, instalado em um canto de sua cozinha, foi construído a partir de peças encontradas facilmente no comércio de materiais do gênero. Optei por fazer uma máquina com suporte, utilizando uma mesa, mas dá para fazer em qualquer tamanho, avisa Minikowski. Ele aguarda lei federal que vai criar incentivos para promover inventores brasileiros. A expectativa dele é comercializar sua máquina no exterior. Ele também está disposto a negociar a possibilidade de fabricação no Brasil. O protótipo ficou em R$ 500,00, mas o custo tende a reduzir quando a produção for feita em série.
Este não foi o primeiro invento de seo José Xavier. Há cerca de 30 anos ele descobriu que as parreiras poderiam produzir uma safra a mais mediante poda e aquecimento. Nesse caso, confessa o aposentado, tudo ocorreu por acidente. Para ele, todo inventor traz dentro de si mais que curiosidade. Tem de ter persistência; tudo tem uma lógica e é preciso persistir para chegar ao objetivo.


