Inventário controla resíduos industriais
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terça-feira, 04 de junho de 2002
Mônica Kaseker<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Até setembro, os resíduos gerados por 800 indústrias de todo o Estado estarão inventariados. A obrigatoriedade do inventário existe desde 1988, a partir de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), mas só 14 anos depois está saindo do papel na maioria dos estados brasileiros.
A coordenadora de Estudos e Padrões Ambientais do Instituto Ambiental do Paraná, Ana Cecília Nowacki, diz que o Paraná é um dos estados mais adiantados no levantamento. A partir do ano que vem, a atualização do inventário será feita automaticamente na renovação da licença ambiental. Entre as empresas potencialmente poluidoras foram destacadas metalúrgicas, siderúrgicas, mecânicas, químicas, petroquímicas, curtumes e indústrias de papel e celulose.
Nestas áreas, todas as empresas com mais de 50 funcionários serão inventariadas. Nas demais atividades, todas as empresas com mais de 100 funcionários entram no sistema de informações.
A retomada do inventário nacional, que deverá estar pronto em 2004, aconteceu a partir da aprovação do projeto no ano passado junto ao Fundo Nacional de Meio Ambiente. O Paraná contratou a empresa ASM Engenharia e Consultoria Ambiental para executar o levantamento. O primeiro passo é encaminhar um formulário para as empresas, no qual elas deverão descrever sua atividade, responder se geram resíduos, de que tipo e em que quantidades anuais, além de indicar se há tratamento, reciclagem, co-processamento ou disposição final dos resíduos. A empresa terá que quantificar também estoques de resíduos existentes.
O trabalho está na fase de aprimoramento do formulário, aplicado até agora em 20 empresas no Estado. A partir deste mês, cerca de 100 empresas estarão recebendo o formulário a cada mês. O inventário vai ser um instrumento importante para a gestão de resíduos sólidos, oferecendo melhoria da qualidade ambiental do Estado, diz Ana Cecília.
Atualmente, na Região Metropolitana de Curitiba existem duas cimenteiras que fazem co-processamento de resíduos, uma central de armazenamento, tratamento e destinação final de resíduos, uma empresa que recicla lâmpadas, uma siderúrgica que recebe sucata metálica e uma empresa de reciclagem de borra de tinta, além de uma outra no Norte do Paraná. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) também criou uma bolsa de reciclagem de resíduos.
O ambientalista José Álvaro Carneiro ressalta que hoje a empresa que tem resíduos é ultrapassada tecnologicamente. Isso sem contar que quem exporta busca a certificação ISO 14000. O moderno é não ter resíduos, dar um jeito de transformar o resíduo em outra coisa. Além de preservar o meio ambiente, cumprir seu papel social, diz. Segundo ele, apesar de considerar que o Paraná tem uma tradição ruim na destinação de resíduos industriais, muita coisa está mudando, com empresas fazendo reciclagem e co-processamento de resíduos. É claro que ainda temos muitos porcalhões, mas o inventário vai ser uma importante referência para trabalharmos nesta questão, afirma Carneiro.


