Invenção na feira de Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de outubro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Semanalmente, na feira da Avenida São Paulo com a Rua Alagoas (Região Central de Londrina), a atração entre o público de todas as idades é na Banca 200. Enquanto os clientes mais antigos aproveitam a passagem para levar coco fresco para casa, quem pouco frequenta o local é despertado pela curiosa invenção do feirante de origem nipônica.
''Não conheço ninguém em Londrina que rale coco na hora. Deve ser por isso que as pessoas querem ver como eu trabalho'', conta com modéstia Francisco Yuji Fuse, que cresceu acompanhando o pai Massayuki, já falecido, vendendo frutas, verduras e coco nas feiras livres da cidade.
Apesar dos alimentos frescos, o sucesso da banca de Francisco é o coco branco. Ele vende cerca de 100 kg da fruta por semana. ''Comercializo muito com a casca, mas o forte mesmo é o ralado, que vendo em um saquinho de 100g a R$ 3'', diz o feirante, que não leva mais de cinco minutos para oferecer o produto fresquinho ao cliente.
E a rapidez não se deve somente à prática de descascar o coco com um facão, mas à máquina inventada por seu pai, em 1972. ''Ele gostava de inventar coisas e tinha habilidade com maquinário. Um dia, ele teve a ideia de construir esse ralador, que tem como base uma forma de pudim e é movida manualmente por uma manivela. É uma herança que até hoje é meu ganha-pão'', explica Francisco, que também viu o pai construir uma máquina de centrifugar mel. ''Ele criava abelhas na chácara'', justifica.
Cliente da barraca de Francisco há meio século, o aposentado Nelson Romagnolli, de 80 anos, garante que é bem melhor fazer compras na feira. ''Estou acostumado, sou bem servido e tenho a garantia de um produto fresquinho'', afirma.
Melhorias
Com anos de profissão, Francisco diz com convicção de que a feira precisa de melhorias. De acordo com ele, a medida mais urgente é em relação à segurança. ''Semana passada roubaram um carrinho de uma cliente que estava cheio de compras. Isso acontece muito, mas a maioria das pessoas não fica sabendo. Acho importante termos policiais aqui'', conta.
Essa questão também é compartilhada por outros feirantes que atuam tanto na Área Central como em outras regiões. ''Segurança é o principal. Nós temos hoje dois vigias no período da manhã, contratados por nós. Acho errado porque isso é um dever do poder público. Nós queremos mais segurança nas feiras, principalmente na madrugada quando muitos jovens vêm fazer bagunça depois de sair das festas'', comenta João Carlos Ruiz, feirante há 20 anos.
Para Maura Domingues de Souza, que trabalha na feira há 48 anos, além da segurança, é preciso improvisar um estacionamento para os feirantes e clientes e instalar mais banheiros químicos. ''Tenho 66 anos e ando com uma bengala. Acho difícil ter que subir e descer a rua toda vez que quero ir ao banheiro. Acho que se tivesse um aqui perto da minha barraca, seria bem mais tranquilo'', aponta.
Ao todo, são realizadas 37 feiras em diversas regiões da cidade, incluindo feiras livres, de artesanato, conhecidas como feira do feito a mão, feiras da Lua e a do produtor rural.


