Invenção garante reaproveitamento de cobre
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terça-feira, 28 de dezembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Há cerca de três anos, o reciclador Fernando Fábio Freire retornou de uma temporada de trabalho nos Estados Unidos com um propósito: inventar uma máquina capaz de recuperar o cobre contido nos mais diversos tipos de fios utilizando um método, segundo ele, inédito no Brasil o vapor. Durante um ano e meio ele se dedicou à criação e aperfeiçoamento da máquina, que agora está funcionando em uma chácara na Zona Sul de Londrina e reciclando uma quantidade de fios bem menor que a sua capacidade, que é de 10 mil quilos por dia.
''Nossa intenção é conseguir algum incentivo do município para que possamos aumentar a arrecadação de fios e nos instalarmos em local mais adequado'', diz Fernando. O equipamento inventado e patenteado por ele foi instalado em um barracão de uma antiga granja de porcos. ''Pagamos um aluguel de R$ 1,6 mil e não temos a segurança necessária nem instalações para acomodar direito os funcionários. Há pouco tempo fomos roubados e tivemos um prejuízo de aproximadamente R$ 8 mil'', conta a irmã de Fernando, Josiane Aparecida Freire, que é presidente da Associação de Cobre e Plástico Freire Copper, fundada para comercializar o material reciclado.
Segundo Fernando, atualmente a associação emprega 60 funcionários. O trabalho deles é recolher o material (fios de telefone, chicotes de motos e carros, fios de rede de computadores, entre outros) em empresas e ruas para depois prepará-lo para entrar na máquina, que separa o metal do plástico. ''É preciso retirar as pontas de ferro e peças de outros materiais, deixando o fio no tamanho certo'', explica Fernando.
O inventor afirma que o método mais utilizado para o reaproveitamento dos fios é a sua queima. O processo, porém, é mais demorado, causa poluição e não permite o aproveitamento do plástico que envolve os fios. ''Com o método a vapor, o plástico pode ser reaproveitado na fabricação de sacolas e sacos de lixo. Já o cobre não perde qualidade e tem reaproveitamento de 80% a 100%'', diz Fernando, lembrando que a máquina é movida a óleo queimado e não agride o meio ambiente.
Para o reciclador Alex Fernando de Oliveira, 23 anos, a reciclagem dos fios com o método a vapor representou a chance de um emprego fixo. ''Antes eu ajudava meu pai, que é pedreiro e trabalha quando aparece serviço. Agora eu trabalho todo dia e tiro até R$ 350,00 por mês. Está melhor'', garante.
O projeto da máquina inventada por Fernando foi encaminhado para análise da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O presidente da Codel, Gabriel Ribeiro de Campos, informou, porém, que a legislação municipal não permite apoio a inventos de qualquer natureza. ''Por lei, o município só pode dar incentivo a empresas já estabelecidas que têm intenção de se expandir ou que pretendem se instalar na cidade.''


