César AugustoResistênciaO pedreiro Carlos Dias Moreira, um dos representantes das famílias invasoras: ‘No jardim Olímpico a gente vai ficar muito isolado’Representantes das famílias que invadiram um fundo de vale do conjunto José Giordano (zona norte da Cidade) foram ontem à Prefeitura para reivindicar a regularização da área. A ocupação ocorreu dia 8 de maio deste ano por 112 famílias de trabalhadores urbanos.
Eles foram foram recebidos pelo secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira. ‘‘Anteriormente, esses moradores haviam concordado em se mudar para uma área do conjunto João Turquino (que ficou conhecido como jardim Olímpico), mas chegando aqui eles afirmaram que tinham desistido’’, disse o secretário. O conjunto fica na zona oeste e reúne cerca de 600 famílias invasoras de outras áreas, alojadas no local pela Companhia de Habitação (Cohab).
‘‘Para lá, nós não vamos não’’, garante Dirceléia Leonel, 30 anos, que trabalha como diarista para sustentar os três filhos. Antes de ocupar a área da Prefeitura, Dirceléia morava com a mãe no conjunto Parigot de Souza, que fica próximo à area invadida, também na zona norte. Ela conta que ganha, semanalmente, R$ 40,00.
O pedreiro Carlos Dias Moreira, 30 anos, três filhos, decidiu ocupar a área da Prefeitura para fugir do aluguel. Moreira ganha R$ 200,00 e pagava R$ 120,00 de aluguel. A mulher dele não trabalha fora de casa. ‘‘Dá para viver com esse restinho de dinheiro?’’, questiona.
Carlos Moreira diz que no Jardim Olímpico não há água, nem luz. ‘‘A gente ia ficar isolado lá, pois até para pegar o ônibus a gente ia precisar andar mais de dois quilômetros’’, reclama o pedreiro.
No assentamento do Jardim Olímpico, segundo ele, já existem 620 famílias. ‘‘Além dessas, outras 120 já se mudaram para lá de uns tempos para lᒒ, informa.
‘‘Se for para sair daqui, a gente quer ir para um lugar decente’’, afirma a diarista Dirceléia Leonel. ‘‘A gente quer pagar pelo terreno, mas a gente quer uma área digna para morar’’, acrescenta.
Os moradores formaram uma comissão para negociar com a Cohab. Carlos Moreira e Dirceléia Leonel integram essa comissão. Na próxima terça-feira, a comissão vai ser reunir com os diretores da Cohab.
Ontem, no entanto, o diretor técnico da Cohab, Heleno Solano Rabello, já adiantou à comissão que a área reservada às 112 famílias é mesmo a localizada no Jardim Olímpico. ‘‘Nós não temos outro lugar para colocar essa gente’’, disse Rabello.
Segundo informações da Cohab, h‘a na Cidade 17 áreas localizadas em fundos de vale invadidas por aproximadamente 1.050 famílias. Considerando-se que cada família tenha em média cinco membros, são cerca de 5.300 pessoas vivendo em fundos de vale.
A primeira invasão registrada pela Cohab ocorreu em 1975, em um terreno localizado na rua Bélgica (zona sul). Atualmente 10 famílias continuam no local. Do total de 17 áreas invadidas, nove ficam na zona norte, cinco na zona leste, duas na zona sul e apenas uma na zona oeste. Uma destas áreas, localizada no conjunto Aquiles Stenghel (zona norte), está sendo regularizada.

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