Israel Reinstein
De Curitiba
Associações de moradores e vereadores de Piraquara se reuniram ontem para tentar barrar a cobrança de Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU) da área de ocupação do Guarituba, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Desde o começo de janeiro, cerca de 4 mil famílias estão recebendo carnês, que não possuem identificação do proprietário. Os moradores afirmam que não vão pagar o imposto, enquanto não forem regularizados os lotes. No entanto, a assessoria de imprensa da prefeitura justifica a distribuição dos carnês, alegando que eles estão sendo entregues no endereço de origem dos donos de imóveis.
O vereador Gabriel Samaha (PSDB) afirmou que pagar o IPTU de área irregular ‘‘seria a mesma coisa de quitar uma conta de luz, achada na rua’’. Para ele, o município teria que cobrar dos proprietários ao invés de mandar a conta para os ocupantes do terreno. ‘‘A situação é estranha, porque o carnê vem sem identificação e, por isso, o seu destino é desconhecido’’, disse. Ele questionou que desta forma não se pode monitorar a utilização desse recurso.
Mas a assessoria de imprensa rebateu as insinuações do vereador. De acordo com o município, a distribuição de carnês obedece o cadastro de imóveis, que foi levantado recentemente pela prefeitura. Com este levantamento, a prefeitura distribuiu mais de um carnê por lote original. Em um terreno, onde existe mais de uma ocupação, o valor do imposto foi subdividido pelo número de famílias ocupantes. ‘‘Mas antes da ocupação os terrenos estavam vazios e, nessa época, os proprietários recebiam os carnês em outros endereços. Por isso estranha esta distribuição’’, afirmou a presidente da União Piraquarense de Associações de Moradores (Upam), Iracema Oliveira Tinte.
A assessoria garantiu que o dinheiro do IPTU está sendo revertido para a melhoria do bairro. ‘‘Ninguém está vendo os resultados desse dinheiro’’, criticou Iracema. Ela contou que as associações estão aconselhando os moradores a boicotar o imposto. ‘‘No ano passado, tivemos os mesmo problema e todo mundo boicotou’’, afirmou.
Uma das pessoas que pretende não pagar o imposto é a moradora Iranilda de Lurdes Berion. Ela afirmou que no ano passado a sua família não pagou o IPTU. ‘‘Não me recuso pagar o imposto, desde que o meu lote seja regularizado’’, afirmou.