Invasores prometem resistir a despejo
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Vânia Moreira 
Os sem-terra que ocuparam domingo a Fazenda São Luiz, em Mariluz (35 km a sudoeste de Umuarama), prometem resistir a qualquer tentativa violenta de expulsão da área. Líderes do grupo disseram ao juiz Olívio Gamboa Panucci que não vão cumprir a ordem para deixar a fazenda. Terça-feira, o juiz concedeu liminar de reintegração de posse ao dono da fazenda, José Teixeira, que mora em Presidente Prudente (SP).
Panucci recebeu anteontem um grupo de sem-terra no Fórum de Cruzeiro do Oeste e tentou convencê-los a sair da propriedade pacificamente. Sem conseguir convencer os sem-terra, o juiz enviou ofício ao Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão pedindo reforço policial para retirar os invasores.
A maioria dos sem-terra que ocupam a fazenda São Luiz vem de acampamentos do Vale do Cantu, divisa entre as regiões Noroeste e Oeste do Estado. Muitos já foram expulsos mais de uma vez de fazendas ocupadas naquela região.
Um dos líderes dos invasores, Jocélio Luiz, disse ontem à Folha por telefone que o grupo chegou à Fazenda São Luiz para ficar e só sai se o dono provar que a propriedade é produtiva.
O Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) garante que há seis meses o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já declarou a fazenda, de 2.300 alqueires, improdutiva.
As famílias acamparam ao lado do distrito de São Luiz, uma vila com cerca de 400 moradores localizada dentro da fazenda. Vários moradores do distrito já teriam se juntado aos sem-terra. Hoje, uma comissão se reúne com o prefeito de Mariluz, Luiz Albino Borghetti (PDT), para saber que tipo de ajuda a prefeitura poderá dar aos acampados, entre eles cerca de 400 crianças.
Os sem-terra estão reivindicando água, alimentos, remédios, atendimento médico e escola para as crianças.
Jocélio Luiz desmentiu a informação de que o MST pretende ocupar outras 10 fazendas na região de Umuarama nos próximos dias. O que dissemos é que 10 propriedades foram vistoriadas, mas o Incra ainda não deu o resultado.
Segundo o líder do acampamento, até agora essa é a única fazenda declarada improdutiva. Vamos ficar por aqui, afirmou. Segundo Luiz, nos próximos dias devem chegar mais 100 ou 150 famílias ao acampamento.


