Invasores preparam plano de reocupação pós-despejo
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de fevereiro de 1998
Valmir Denardin 
O grupo de moradores das regiões Oeste e Sudoeste do Estado que ocupa o Parque Nacional do Iguaçu desde o dia 11 de janeiro já desenvolveu uma estratégia para voltar ao local caso o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cumpra nos próximos dias a ameaça de utilizar a Polícia Federal, o Exército e a Marinha para retirá-los da área.
Segundo a Folha apurou, a intenção dos invasores é sair pacificamente e reocupar o parque - na área da Estrada do Colono - quando as forças policiais se retirarem. O Exército não vai ficar aqui um mês e nem a vida inteira, afirmou ontem um dos invasores, que não quis se identificar. Se eles vierem, vamos nos retirar e depois reocupar.
Há consenso entre os integrantes do Movimento Amigos do Parque Nacional do Iguaçu - entidade que coordena a ocupação - de que é necessário permanecer no parque, mantendo a Estrada do Colono em funcionamento, até que haja uma decisão judicial favorável à reabertura. O grupo aguarda o julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de duas ações movidas contra a liminar da Justiça Federal, expedida em setembro de 1986, que determinou o fechamento da estrada.
Lideranças do movimento temem também que a retirada à força possa revoltar os moradores da região. Segundo essa avaliação, a população local poderia investir contra o parque - principalmente provocando incêndios.
Ontem, a situação na Estrada do Colono, que permanece aberta ao tráfego desde a invasão, era tranquila. Os cerca de 600 invasores ocupam 100 barracas, nas duas extremidades do trecho de 17,6 quilômetros da estrada que corta o parque nacional. O grupo continuou cobrando um pedágio de R$ 5,00 dos cerca de 600 veículos que utilizaram a estrada ontem. O pedágio, cuja cobrança é irregular, dá direito ao uso de uma balsa para cruzar o Rio Iguaçu.
O Movimento Amigos do Parque anunciou que, a partir de amanhã, vai proibir caminhões e carretas de utilizar a estrada. A decisão é uma reação às declarações do diretor de Ecossistemas do Ibama, Ricardo Soavinski, de que o grupo teria alargado o leito original da estrada para possibilitar o tráfego de caminhões.


