Arapongas O caso ameaçava virar caso de polícia e descambar para a violência. Mas a presença da Procuradora do Ministério Público do Trabalho da 9 Região e coordenadora do Fórum Nacional do Lixo e Cidadania, Margaret Matos de Carvalho, deu novos rumos ao impasse entre a Prefeitura e um grupo de invasores do aterro sanitário do Município.
Margaret se encontrou com autoridades municipais e visitou o aterro sanitário, onde os invasores ''garimpavam'' material reciclado. Foi a partir desta conversa que a procuradora sugeriu a criação de um segundo núcleo de reciclagem sistematizada em Arapongas.
A procuradora é uma das incentivadoras da Cooperativa de Reciclares de Arapongas (Coopreara), instalada a dois anos. A Coopreara, composta por 70 integrantes, explora a Usina de Reciclagem e Decompostagem, unidade subvencionada pelo Município, e que atualmente garante renda de R$ 350 e uma cesta básica mensais a cada reciclador.
Desde janeiro, quando a estrutura do aterro foi concluída (antes o local não passava de um lixão a céu aberto), um grupo de dissidentes da cooperativa faz invasões quase diárias ao aterro. Segundo o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Mauro Rodrigues Mello, o grupo entra na área, de 40 mil metros quadrados, pela parte dos fundos do aterro, a mais vulnerável.
''Há vigilância 24 horas na guarita de entrada, a área é cercada com arame farpado, mas nada disso os detém. A própria polícia está cansada de levá-los a delegacia e depois liberá-los'', explica, estimando que os dissidentes são cerca de 10 pessoas que se revezam nas invasões. ''O mais grave é que já houve ameaças ao operador do trator-esteira porque ele 'atrapalha' o trabalho dos invasores. Certa vez, chegaram a colocar areia e água no tanque do veículo para que o motor não funcionasse'', contou.
A idéia da procuradora, aceita pela administração municipal, é ceder um galpão ao grupo, que formaria uma segunda cooperativa. Lixo é o que não falta. O aterro, que funciona irregularmente desde a inauguração porque ainda não obteve o licenciamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), processa 55 toneladas diárias de resíduo sólido. O reciclável é transportado de caminhão até a usina, a um quilômetro de distância do aterro.

mockup