Paulo WolfgangDebatesMaria de Oliveira e Manoel Garcia, ontem de manhã na SRP: discussões para tentar uma saída pacífica para o problema do campoO presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Manoel Garcia Cid, disse ontem que os fazendeiros vão se preparar para enfrentar as ocupações organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ‘‘À bala, se necessário for’’, acentuou.
Ele disse que a entidade que preside ‘‘recebeu, entendeu e assimilou’’ o recado dado pelo integrante da direção nacional do MST Gilmar Mauro. Segundo Mauro, a morte do segurança José Lopes de Oliveira, no dia 27, na Fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros ao sul de Londrina), era um ‘‘recado para fazendeiros do País todo’’.
Manoel Garcia iria participar ontem à tarde de um encontro, em Paranavaí, para discutir o problema de invasões na região Noroeste. O encontro reuniria representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Governo Estadual, Poder Judiciário e Polícia Militar, além de fazendeiros e membros do MST.
‘‘Buscamos uma saída pacífica’’, disse o presidente da SRP. Mas não descartou a possibilidade de os fazendeiros da região recorrerem a seguranças de empresas registradas na Polícia Federal, caso fossem alvo de invasões. ‘‘Lamentavelmente, esse movimento é guerrilheiro e político’’, justificou.
Ele disse que está preocupado com a possibilidade de invasão em duas propriedades daquela região, a Belo Horizonte, de 681 alqueires, e a fazenda São Mateus, de dois mil alqueires. ‘‘Se houver tentativa de invasão os fazendeiros vão se unir dentro da propriedade para defendê-la’’, avisou.
Na região Norte, que tem Londrina como pólo, Manoel Garcia afirmou que continua valendo o acordo firmado com os sem-terra, segundo o qual eles não fariam novas invasões e os fazendeiros não se armariam. Segundo ele, o episódio da fazenda Borborema não feriu o acordo, pois era uma fazenda já ocupada. Pelo acordo, até julho o MST não promove invasões na região de Londrina e em contrapartida a SRP deixa de fora das fazendas a vigilância rural armada.
Na avaliação de Manoel Garcia, os proprietários da fazenda Borborema agiram de forma errada quando contrataram os seguranças para retirar os sem-terra da propriedade. ‘‘A fazenda já tinha sido declarada improdutiva. Os proprietários foram levados pela emoção’’, admitiu o presidente da SRP.
Manoel Garcia justificou o anúncio feito pela Sociedade Rural usando as imagens da TV Londrina sobre o confronto na Borborema dizendo que a intenção é alertar a população: ‘‘Queremos mostrar ao povo que é o MST é um movimento político e guerrilheiro’’, afirmou. Ele voltou a criticar a ‘‘omissão’’ do Governo Estadual em fazer cumprir os mandatos judiciais de reintegração de posse.
O Paraná tem 87 propriedades invadidas e pelo menos 30 com mandado judicial de reintegração de posse. ‘‘Lamentavelmente o governo não comparece com a Polícia Militar para fazer o despejo.’’
Ontem pela manhã, a superintendente do Incra no Estado, Maria de Oliveira, se reuniu com o presidente da SRP, em Londrina, e adiantou que já ter solicitado o agendamento de um reunião com o governador Jaime Lerner para pedir mais atenção ao problema da terra.
‘‘Não temos como trabalhar sozinhos em uma reforma agrária tão pesada’’, desabafou Maria de Oliveira. Ela informou que o Incra já tem a imissão de posse de três grandes fazendas da região de Tamarana: Nossa Senhora de Fátima, São José e Apucarana Grande, somando uma área de 9 mil hectares.
Segundo ela, já foram depositadas em juízo as indenizações para os proprietários e que em breve serão selecionadas 500 famílias para assentamento. A partir do dia 19, equipes do Incra, do Governo Estadual e representantes do MST vão estar nas fazendas desapropriadas para um estudo técnico da área. À tarde, ela seguiu para Paranavaí.

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