Invasores podem
ganhar assentamento
Adriana De Cunto
Londrina
As 60 famílias que invadiram um lote de terra nos fundos dos conjuntos Ilda Mandarino e Parigot de Souza 3, zona norte de Londrina, têm grandes chances de ganhar assentamento no mesmo lugar.
Levantamento topográfico feito pelos funcionários da Secretaria Municipal de Obras apontou que a maioria dos barracos foi erguida fora da área de preservação ambiental. ‘‘Poucas famílias estavam no fundo de vale. E quem estava na área proibida já se movimentava para mudar de local’’, revelou o secretário José Righi.
O levantamento topográfico para demarcar a área de preservação ambiental foi concluído na semana passada. O trabalho foi pedido pelo presidente da Câmara de Vereadores, Adalberto Pereira (PFL) - quando ocupava interinamente o cargo de prefeito - depois de uma manifestação das famílias invasoras. Elas fecharam, no dia 11 de setembro, a rua Francisco Gabriel Arruda - principal acesso à região conhecida como Cinco Conjuntos - em protesto pela falta de torneira comunitária.
Como é proibida qualquer infra-estrutura em fundos de vale, o prefeito em exercício determinou que fosse feita a demarcação da área de preservação ambiental.
José Righi disse já ter encaminhado para a Companhia de Habitação (Cohab) o resultado do levantamento topográfico. O presidente da Cohab, Wilson Mandelli (foto), disse que ainda não recebeu o documento oficial da Secretaria de Obras, mas tem conhecimento informal do resultado.
Mandelli explicou que, se realmente as famílias não estiverem instaladas no fundo de vale, é provável que elas sejam assentadas no mesmo lugar. Primeiro a Cohab deverá fazer o cadastramento das famílias e depois a área deverá ser reordenada, com a demarcação dos lotes e das ruas. Só então os lotes serão vendidos para as famílias e a Copel e a Sanepar poderão instalar luz e água.
A previsão de término deste trabalho é de aproximadamente seis meses, calcula Mandelli. Ele comenta que a Prefeitura vai estudar uma maneira de proporcionar abastecimento de água potável às 60 famílias. Mas o presidente da Cohab não sabe se a comunidade poderá contar com um cavalete comunitário, já que a Sanepar está evitando instalar torneiras comunitárias por problemas no pagamento da água consumida.
A área foi batizada pelos ocupantes de jardim Aldamas. Trata-se de um dos últimos terrenos invadidos por sem-teto na Cidade, há aproximadamente oito meses.
Ontem, Mandelli voltou a afirmar que a Prefeitura não vai mais permitir invasões de terrenos em Londrina. A ordem, segundo ele, é pedir imediatamente a reintegração de posse.

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