Invasores permanecem no Chapecó
Avicultores que exigem a reativação do frigorífico do grupo Chapecó em Cascavel mantinham ontem a ocupação do prédio do setor administrativo da empresa, onde se instalaram anteontem, e disseram que ficarão até o fim, ou seja, quando a indústria voltar a operar. Eles dependem da reativação para que possam voltar a fornecer frangos. Há 19 meses o frigorífico suspendeu o abate, até então de cem mil cabeças ao dia, desempregando milhares na unidade e no campo.
Homens e mulheres estão espalhados pelas salas do prédio, em meio a computadores não retirados pela empresa, e usam outras salas para cozinhar e dormir. Alguns vigilantes particulares e policiais militares circulam pelo local, sem interferir. Antes, cerca de 30 famílias, representantes das demais (donas de 486 aviários), estavam em barracos de lona preta montados há quatro meses na frente da indústria em condições extremamente difíceis.
Há uma semana, doze homens e quatro mulheres iniciaram greve de fome, em barracos no centro de Cascavel, suspendendo-a depois de seis dias, diante do compromisso do governador Jaime Lerner (PFL) de atuar pessoalmente pela reativação da unidade - com a venda, pelo grupo Chapecó, ou arrendamento aos próprios avicultores. Também foram garantidos recursos para a reativação, congelados débitos contraídos pelos produtores no Banestado para construção dos aviários, e destinadas cestas básicas e auxílio de R$ 240,00 mensais para cada família.
Apesar disto, elas decidiram manter a ocupação. Reconhecemos o empenho do governo, mas só nos desmobilizaremos quando tudo estiver sacramentado, disse ontem José Lino Bergamin, presidente da Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste (Cooperoeste), que representa as famílias. Segundo ele, os avicultores estão cansados de promessas, da própria Chapecó, de que reativaria o frigorífico, por isso preferem ficar na unidade. Ir para casa nada mudaria, porque os aviários não servem para nada, no momento, completou José Lino Bergamin.Edson MazzettoOs avicultores dizem que sairão do prédio quando o frigorífico voltar a abater aves da região de CascavePaulo Pegoraro





