Invasores montam sistema de segurança
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terça-feira, 20 de janeiro de 1998
Edna Mendes 
Sílvio VeraPreparadosDurante o final de semana foi simulada uma operação de resistência a uma possível ação policial Moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Estado que invadiram na semana passada o Parque Nacional do Iguaçu e reabriram a Estrada do Colono estão montando um sistema reforçado de segurança para resistir a uma possível intervenção da polícia para retirá-los do local. A estrada, que tem 17,6 quilômetros dentro do parque, liga Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste).
Foi construída no parque uma guarita onde seis equipes se revezam durante 24 horas. Uma rádio comunitária também deverá entrar no ar ainda hoje, com o objetivo de alertar e mobilizar os invasores. Além disso, o grupo conta também com três veículos, um carro de som e três bases de rádio-amador em Serranópolis, Capanema e Medianeira.
Eles também montaram no local um escritório com telefone, computador e fax. No escritório foi instalada uma sirene para chamar a atenção dos acampados, caso a polícia chegue ao local. Até uma casa foi transportada para o acampamento. Nela, vai funcionar o estúdio da rádio comunitária e uma central de informações e orientações. Os invasores negam que estejam armazenando armas. Mas, no final de semana, eles simularam uma operação de resistência a uma possível ação policial.
Os invasores também ocuparam anteontem a extremidade da estrada que dá acesso ao Rio Iguaçu, em Capanema, onde é utilizada uma balsa para fazer a travessia. Eles também interditaram a Estrada Velha de Guarapuava, uma via secundária que margeia o parque e dá acesso ao local onde estão os invasores.
Assim evitamos que a polícia nos surpreenda. Dessa forma, a polícia só tem uma via de acesso até nós, disse o deputado estadual Irineu Colombo (PT), um dos líderes da invasão.
Colombo afirmou também que anteontem um grupo de 40 pessoas da região chegou ao local para reforçar a invasão. Um barracão está sendo contruído para abrigar esse grupo.
A Estrada do Colono estava fechada desde 1986, por determinação da Justiça. No ano passado, os moradores da região reabriram a estrada e só deixaram o local depois que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se comprometeu a concluir até dezembro o Plano de Manejo do parque. Como o Ibama não concluiu o estudo, os manifestantes voltaram a ocupar o local.
No domingo, cinco padres celebraram uma missa no acamapamento. Cerca de 600 pessoas participaram da celebração. O padre Armando de Costa, da Paróquia de São Miguel do Iguaçu, mantém uma barraca no acampamento e vai ao local quase todos os dias. Todas as paróquias da região estão apoiando a causa. É uma questão de bom senso. Não podemos ficar contra os anseios das comunidades, disse o padre.
A Folha procurou o bispo de Foz do Iguaçu, dom Olívio Fazza, mas ele não pôde atender a reportagem. O bispo informou, por meio de sua secretária, que não tinha conhecimento do assunto.


