Invasores ignoram intimação e Cohab ameaça com despejo
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segunda-feira, 19 de maio de 1997
Célia Baroni 
A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina pode pedir reforço policial para retirar as 10 famílias que ocuparam as casas de fibrocimento, construídas no Conjunto Ilda Mandarino (zona norte). A liminar de reintegração de posse foi concedida pelo juiz da 7ª Vara Cível de Londrina, José Cichocki Neto, no final da tarde de sexta-feira. Ontem à tarde, os moradores foram notificados da decisão judicial. Mas as famílias se negaram a cumprir a liminar e afirmaram que não vão desocupar as casas.
Sem conseguir convencer os moradores a receber a intimação e cumprir a ordem judicial, o oficial de justiça Ari Assis Júnior esclareceu aos moradores sobre a situação. Explicou que apresentaria relatório ao juiz informando que seria necessário reforço policial para a retirada das famílias. Caberá ao juiz definir o que fazer, disse o oficial de justiça, adiantando que o juiz deverá se pronunciar ainda hoje.
Estamos tentando resolver o problema da forma mais amena possível. Mas, se não houver outra alternativa vamos pedir à Justiça que acione os meios cabíveis para fazer cumprir a reintegração de posse, disse ontem o presidente da Cohab, Wilson Mandelli. Questionado sobre a possibilidade da companhia pedir reforço policial para a retirada das famílias, Mandelli reafirmou a decisão de usar os recursos legais disponíveis para o despejo.
Segundo o representante comercial desempregado Adir Ferreira, os moradores formaram uma comissão e marcaram uma reunião para hoje de manhã na Cohab. Não pretendemos sair daqui, mas vamos tentar sensibilizar a Cohab para o nosso problema. Ele garante que todas as famílias têm inscrição na Cohab e esperam há anos para serem atendidas, sem sucesso.
Ferreira argumenta ainda que, em caso de despejo, nenhuma das 10 famílias tem para onde ir. Tirar a gente daqui não vai resolver o problema. Tem gente só esperando o despejo para ocupar as casas. À noite tem até gente dormindo na rua dos fundos esperando a desocupação, ele revela.
Além da tentativa de negociação com a Cohab, Ferreira informou que os moradores pretendem brigar na Justiça para garantir o direito de permanecer nas casas. Ele diz que uma equipe de advogados da Cidade se ofereceu para defender gratuitamente os interesses das famílias.
Apesar do despejo iminente, os moradores não parecem acreditar na interferência policial no caso. Os moradores afirmam que contam com o apoio da construtora Grande Piso Revestimentos Ltda, de Foz do Iguaçu. O proprietário da empresa, Roberto Sas, esteve aqui conversando com a gente. Disse que, pela empresa, poderíamos continuar morando nas casas, desde que não danificássemos o imóvel, garante Dimarães Marcondes Carneiro, 26 anos, vendedor.
O apoio da empresa, no entanto, não é oficial. A construtora também entrou com uma ação de reintegração de posse. E, segundo Ferreira, teve seu pedido atendido pela Justiça. Hoje nós recebemos duas intimações. Uma de manhã - da ação movida pela empresa - e outra da ação movida pela Cohab, disse.
O presidente da Cohab adianta que é impossível as famílias permanecerem nas casas, que fazem parte de um projeto-piloto daquela construtora, em parceria com a Cohab - a companhia entrou com o terreno e a empresa com as obras. As casas foram doadas à Cohab. Mandelli explica que, depois da conclusão das casas, a Cohab vai começar chamando os primeiros 10 dos 30 mil inscritos na lista de espera por uma casa popular, até conseguir as 10 famílias dispostas a participar do projeto.
As famílias terão de morar nas casas de 18 a 24 meses, em caráter experimental, para verificar se as condições das casas são boas. As avaliações delas serão acrescentadas ao relatório dos técnicos da Cohab. Somente com a aprovação do projeto as famílias recebem de fato a posse das casas.


