Invasores garantem que não saem
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
As famílias que ocuparam anteontem quatro lotes no Conjunto Vivi Xavier (zona norte de Londrina) afirmaram que pretendem manter a invasão e estariam dispostos a negociar com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afosenca e Silva, no entanto, voltou a garantir que não há negociação possível e que os locais deverão ser desocupados. Segundo ele, os invasores deveriam fazer cadastro para aquisição de casa própria. A maioria deles declarou nunca ter feito ficha na instituição.
Os quatro lotes pertencem ao Município e somente podem ser usados para construção de praças, áreas de lazer ou de utilidade pública. Até a tarde de ontem, de acordo com a assessoria de imprensa, a Procuradoria Geral do Município estava estudando o caso para avaliar as medidas judiciais cabíveis. De acordo com a Afonseca, o pedido de reintegração de posse deverá ser feito ''o mais rápido possível.''
Para o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, comandante da Polícia Militar (PM) em Londrina, a situação ainda não exige ação policial. ''Se houver ordem judicial, vamos tomar as providências necessárias, sempre buscando primeiro o caminho do diálogo'', declarou.
O pintor Renato Passos, 23 anos, que ocupou um dos lotes, afirmou que pretende começar a construir até o fim de semana. ''Já tenho madeira para fazer a minha casa. Estamos esperando negociar com a Cohab para ficar aqui'', disse. ''Para desocupar, a polícia teria de vir aqui todo dia porque, se a gente sair, outros invadem.''
O pedreiro Márcio Lopes da Silva, 44 anos, é vizinho de um dos terrenos, onde há 18 anos mantêm um pomar. ''Sinto perder os pés de fruta. Mas não quero briga com o pessoal, já que são todos criados aqui. Eu cedi. O problema é deles com a Cohab'', ressaltou.
A maioria dos invasores é formada por moradores da vizinhança, que estavam residindo na casa de parentes. Alguns reclamaram que a fila da Cohab é demorada. Segundo eles, haveria gente na espera por quase 20 anos. Afonseca, no entanto, rebateu a afirmação. Segundo ele, esta situação ocorria nas ''administrações anteriores''.


