Invasores fazem gado de refém em Saudade do Iguaçu
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Edna Mendes 
Guarapuava
As 150 famílias de sem-terra acampadas desde o início do ano na Fazenda Fartura, em Saudade do Iguaçu (160 quilômetros a oeste de Guarapuava), estão mantendo parte das mil cabeças de gado fechada nas mangueiras, impedindo que os animais se alimentem. Os sem-terra já mataram duas vacas.
O gado pertence a um dos arrendatários da propriedade. A fazenda tem aproximadamente 1,4 mil alqueires e pertence a Elias Curi. A área é usada para o plantio de soja e milho e para pecuária.
Segundo o administrador da fazenda, Antonio de Ramos, os sem-terra querem que o arrendatário retire todo o gado do local. Eles alegam que a terra é deles e estão exigindo que o gado seja retirado da fazenda. Manter o gado fechado foi a forma que eles encontraram para nos pressionar, disse.
Ramos disse ainda que a fazenda é produtiva e que oito pessoas arrendaram as terras. Até agora eles (os invasores) mataram duas cabeças, mas a gente não sabe o que será do restante se eles continuarem mantendo o gado fechado nas mangueiras, afirmou.
Segundo o comandante do destacamento da Polícia Militar de Saudade do Iguaçu, Abílio Ferreira da Silva, a polícia sabe que os sem-terra estão abatendo o gado, mas até ontem o dono dos animais não havia registrado queixa.


