As famílias de trabalhadores sem-terra que estão acampadas na fazenda Boa Sorte, em Marilena, vieram de Ibema, região de Cascavel. Elas fizeram um acordo com o Incra de Cascavel, que prometeu entregar uma área em processo de desapropriação nas proximidades de Marilena. A princípio, os sem-terra ficaram provisoriamente na fazenda Boa Sorte, onde já estão 30 famílias assentadas.
No início de setembro, as famílias decidiram invadir as fazendas Xavantes e São José. No dia 6 deste mês, depois de um acordo com a Superintendência do Incra no Paraná, os sem-terra voltaram para o acampamento provisório, na Boa Sorte.
Entre os sem-terra que ocuparam a área, boa parte é de brasiguaios. No último dia 15, alguns invasores desistiram de aguardar uma decisão do Incra e voltaram para o Paraguai. A informação sobre o número de desistentes é diferente por parte dos sem-terra que continuam na fazenda Boa Sorte e por parte do pecuarista Carlos Mauro Cersi.
Segundo ele, cerca de 40 famílias que estavam no acampamento improvisado teriam retornado para Foz do Iguaçu com destino ao Paraguai. O próprio Cersi teria ajudado as famílias, pagando o frete do caminhão que fez o transporte e oferecendo mais uma quantia em dinheiro para alimentação. ‘‘Ajudei porque eles vieram me procurar’’, disse. O pecuarista teria desembolsado R$ 1.180,00 na ajuda às 40 famílias.
No acampamento da fazenda Boa Sorte, o coordenador do grupo, Luiz Clério diz que apenas três famílias - 18 pessoas no total - desistiram da luta pela terra em Marilena e voltaram para a cidade de origem. Segundo Clério, restaram no acampamento 72 famílias. Durante a visita da Folha no acampamento da fazenda Boa Sorte havia cerca de 40 pessoas, incluindo mulheres e crianças. Conforme Luiz Clério, cerca de 30 pessoas estariam trabalhando em fazendas do Mato Grosso, na colheita de mandioca e uma outra parte estaria espalhada pelo acampamento.

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