A desocupação do terreno do Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC), que foi invadido em maio por cerca de 35 famílias, na Rua Hikoma Udihara, no Jardim Califórnia (zona leste de Londrina), começou no fim de semana. O prazo acordado entre a direção do CAPC e os invasores para a reintegração de posse termina hoje. A liminar para retirada das famílias foi concedida em julho, mas a entidade concedeu o prazo para buscar uma solução pacífica.
A maioria das famílias conseguiu alugar imóveis ou foi morar com parentes. Ontem, apenas quatro continuavam no terreno. A chuva atrapalhou a mudança. Eles estão construindo barracos em um terreno na Avenida das Américas, próximo do local da invasão. O sentimento entre eles era de decepção. "Saí da casa onde morava na esperança de conseguir a minha casa. Agora estou tendo que desocupar aqui. Não tenho condições de pagar aluguel, então estou construindo um barraco lá do outro lado", disse Juceni Pereira da Silva, de 50 anos, ajudante de restaurante.
O jardineiro Niovaldo Liniq, de 62 anos, e a mulher, Aparecida dos Santos Liniq, de 55, também estão se mudando para o terreno vizinho. Por causa da chuva, eles não conseguiram terminar a construção do barraco e pretendem conseguir um prazo maior para saírem do local. "Nossa situação é péssima. Chove aqui dentro do barraco, estou sem trabalhar, as roupas são de doação e estamos até sem comida. Com essa chuva não tem trabalho para jardineiro", contou Liniq.

Invasores desocupam terreno do CAPC
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O diretor-presidente do CAPC, Celso Fernandes Júnior, afirmou que o prazo final é nesta quarta-feira e que qualquer prorrogação deve ser negociada diretamente com a Justiça, que concedeu a reintegração de posse. "Já foi dado tempo suficiente para eles tirarem as coisas. O prazo é 25 de novembro e agora é com a Justiça."
De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Conquista, que assumiu as negociações junto à Prefeitura e ao CAPC, Marcos Luiz dos Santos, a Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu às famílias vagas em um abrigo, mas elas recusaram. "A mudança agora vai ficar a critério deles. Se estão invadindo outro terreno, agora é por conta deles", afirmou Santos.
Ele vem negociando com a Prefeitura para que as famílias recebam terrenos no loteamento Nova Esperança, na zona sul, e afirmou que para que as famílias recebam os terrenos falta apenas a tramitação, na Câmara de Vereadores, de um projeto que autoriza o município a receber 20 lotes e mais R$ 4 mil da empresa loteadora por não ter cumprido a obrigação de fazer a infraestrutura das ruas.
No entanto, o prefeito Alexandre Kireeff negou que esses terrenos sejam para atender essas famílias. "O que existe é um projeto de loteamento popular, desenvolvido pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), em que as pessoas se habilitam através de regras da própria Cohab, adquirirem terreno através de financiamento, tudo conforme previsto em lei", disse.
A intenção da Prefeitura é repassar esses lotes para a Cohab como aumento de patrimônio, que irá financiar esses lotes em 300 meses para pessoas de baixa renda que estão cadastradas nos programas habitacionais. Segundo o presidente da Cohab-Ld, José Roberto Hoffmann, as famílias que invadiram o terreno do CAPC poderão participar do processo, desde que estejam cadastradas nos programas, mas não terão qualquer tipo de privilégio.(Colaborou Antoniele Luciano)

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