SÃO JERÔNIMO DA SERRA - As 12 famílias de ex-posseiros que invadiram em outubro a Gleba do Cedro, na reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), saíram pacificamente ontem de manhã. A saída foi uma condição imposta para que a Justiça Federal concedesse a revogação da prisão preventiva de três posseiros e do vice-prefeito eleito, Manoel Rocha Rodrigues, presos segunda-feira pela Polícia Federal.
Anteontem, os lavradores Expedito Belo dos Santos, Antônio Luis Gomes e Waldemir Rodrigues de Souza, juntamente com Manoel Rodrigues, foram ouvidos pela Justiça Federal em Londrina. Os lavradores tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, acusados de incitar a invasão de ex-posseiros na área. O vice-prefeito eleito foi preso acusado de acobertar os invasores, dando alimento e abrigo.
A Justiça Federal recusou o pedido de revogação da prisão preventida, feito pelo advogado dos acusados, João Luiz Perusso. ‘‘O Ministério Público deu parecer desfavorável por não ter notícias da desocupação da área anteontem’’, explicou Peruso. Hoje ele deve entrar com novo pedido, anexando declarações da Polícia Federal, Funai e Polícia Civil sobre a saída pacífica dos invasores.
Perusso afirma que os invasores possuem uma Justificação de Posse dada pela Justiça, datada em 1986. Este documento seria o motivo da invasão da reserva. ‘‘A declaração diz que a posse foi realizada mansa e pacificamente em 1952. Os posseiros são descendentes dos primeiros ocupantes da área’’, afirma o advogado.
Em 91 foram demarcados os limites da reserva, contestados pelos ex-posseiros. Este ano a reserva foi invadida várias vezes. Em maio, a Fundação Nacional do Índio (Funai) conseguiu a reintegração de posse da área na Justiça Federal. Em julho, um acordo entre governo do Estado, Funai, Incra e Justiça Federal garantiu a retirada pacífica dos invasores. Em outubro, 12 famílias que não aceitaram o acordo de julho voltaram a ocupar a área.

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