Invasores de área fundam associação
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
Ocupantes de uma área de dois alqueires (48,4 mil metros quadrados), no bairro Pinheirinho, em Curitiba, invadida no dia 27 de outubro, definem hoje a comissão de 12 pessoas que irá formar a Associação dos Moradores da Vila Nova União, que ontem começou a ser urbanizada com a construção de casas de madeira. Os invasores alegam que não têm renda suficiente para pagar aluguel e que a ocupação foi a única alternativa.
Em outra invasão próxima daquela área, no bairro Tatuquara, ocupada desde o dia 3, a Prefeitura de Curitiba solicitou à Polícia Militar proteção para um bosque nativo situado dentro da área invadida. Cerca de 300 famílias estão acampadas no local e o bosque, com 22 mil metros quadrados está cadastrado na Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Os proprietários das duas áreas aguardam na Justiça o pedido de reintegração de posse, mas a intenção dos ocupantes é permanecer no local. No Pinheirinho, o vendedor ambulante João Rodrigues, 49 anos, não teme represálias da PM. Estou fazendo o que considero certo e por isso não estou disposto a mudar, afirmou Rodrigues. Segundo ele, a casa será ocupada pelo sobrinho que está desempregado e mora com a mãe e mais três irmãos em uma casa alugada.
O pintor Juvenal (não quis revelar o sobrenome) também construía sua nova casa. Para ele será um sonho que não tinha como realizar ganhando pouco mais de dois salários e pagando um aluguel de R$ 120. Diversas vezes atrasei o pagamento do aluguel, mas por falta de condições, afirmou Juvenal. A futura casa, com cerca de 20 metros quadrados, irá abrigar a mulher e a filha, de sete anos.
Na região do Tatuquara a situação é semelhante. Mesmo sob a ameaça constante de invasão policial, os ocupantes da área iniciam a construção de suas moradias. Em ambos os casos estão sendo formadas comissões para começarem as negociações com os proprietários, prefeitura e Cohab.
Em Curitiba moram atualmente 30 mil pessoas em áreas invadidas. As duas mais recentes invasões têm em comum o déficit habitacional, estimado através da fila da Companhia de Habitação de Curitiba (Coahb-CT) em 60 mil famílias esperam ser chamadas. Para o próximo ano estão previstos investimentos de R$ 98 milhões no setor e a entrega de mais 9,3 mil unidades.


