Ocupantes de uma área de dois alqueires (48,4 mil metros quadrados), no bairro Pinheirinho, em Curitiba, invadida no dia 27 de outubro, definem hoje a comissão de 12 pessoas que irá formar a Associação dos Moradores da Vila Nova União, que ontem começou a ser urbanizada com a construção de casas de madeira. Os invasores alegam que não têm renda suficiente para pagar aluguel e que a ocupação foi a única alternativa.
Em outra invasão próxima daquela área, no bairro Tatuquara, ocupada desde o dia 3, a Prefeitura de Curitiba solicitou à Polícia Militar proteção para um bosque nativo situado dentro da área invadida. Cerca de 300 famílias estão acampadas no local e o bosque, com 22 mil metros quadrados está cadastrado na Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Os proprietários das duas áreas aguardam na Justiça o pedido de reintegração de posse, mas a intenção dos ocupantes é permanecer no local. No Pinheirinho, o vendedor ambulante João Rodrigues, 49 anos, não teme represálias da PM. ‘‘Estou fazendo o que considero certo e por isso não estou disposto a mudar’’, afirmou Rodrigues. Segundo ele, a casa será ocupada pelo sobrinho que está desempregado e mora com a mãe e mais três irmãos em uma casa alugada.
O pintor Juvenal (não quis revelar o sobrenome) também construía sua nova casa. Para ele será um sonho que não tinha como realizar ganhando pouco mais de dois salários e pagando um aluguel de R$ 120. ‘‘Diversas vezes atrasei o pagamento do aluguel, mas por falta de condições’’, afirmou Juvenal. A futura casa, com cerca de 20 metros quadrados, irá abrigar a mulher e a filha, de sete anos.
Na região do Tatuquara a situação é semelhante. Mesmo sob a ameaça constante de invasão policial, os ocupantes da área iniciam a construção de suas moradias. Em ambos os casos estão sendo formadas comissões para começarem as negociações com os proprietários, prefeitura e Cohab.
Em Curitiba moram atualmente 30 mil pessoas em áreas invadidas. As duas mais recentes invasões têm em comum o déficit habitacional, estimado através da fila da Companhia de Habitação de Curitiba (Coahb-CT) em 60 mil famílias esperam ser chamadas. Para o próximo ano estão previstos investimentos de R$ 98 milhões no setor e a entrega de mais 9,3 mil unidades.

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